30 de agosto de 2017

Sansão e o templo de Dagom

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Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Segundo Discurso de Moisés (4.41 - 11.32)

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Seja Cauteloso no Futuro 

Deuteronômio 4.41—11.32 

Essa unidade começa com um parágrafo curto (4.41-43) sobre as três cidades de refúgio que Moisés estabeleceu a leste do Jordão, um assunto que Moisés volta a discutir em 19.1-13. Nesse segun­do momento, porém, ele menciona outras três cidades de refúgio a oeste do Jordão. Temos aqui a segunda referência a Moisés na terceira pessoa em Deuteronômio, sendo que a primeira foi em 1.1,5. Instintivamente, perguntamos o porquê de esta referência estar aqui. Seria uma inserção inoportuna feita posteriormente, sem qualquer relação com o contexto imediato do texto? E possí­vel. Por outro lado, Moisés vem discorrendo sobre as leis e estatu­tos de Deus, tanto ao longo dos capítulos anteriores como no capí­tulo 4. Se observadas e executadas, elas levam à vida. O crente fiel às leis de Deus não morrerá, mas terá longevidade. Esse pa­rágrafo, do mesmo modo, trata de vida e morte: vida para aquele que mata involuntariamente o próximo. Seriam a palavra e a re­velação de Deus, em si mesmas, uma cidade de refúgio? Deixá-la seria o mesmo que ficar desprotegido. 

Veremos mais tarde, no estudo das leis dos capítulos 12 a 26, que leis aparentemente desconexas estão associadas simplesmente por causa de alguma palavra-chave presente em ambas ou por causa de uma frase comum ou, em última análise, por um tema comum a ambas. Apassagem de 4.41-43 não apenas realiza a transição entre o primeiro e o segundo discurso de Moisés, mas tam­bém ressalta o tema vida, que é enfatizado tanto nos capítulos anteriores como posteriores. 

O Tema da Unidade (5—6) 

O segundo discurso de Moisés começa em 5.1, com uma convo­cação para que “todo o Israel” ouça, não a conselhos ou reflexões de um sábio, mas à declaração das leis de Deus. O segundo dis­curso de Moisés começa e termina atentando a importância do “hoje”: “Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos” (5.1); “Tende, pois, cuidado em fazer todos os estatutos e os juízos que eu hoje vos proponho” (11.32). Os dois versículos são quase idênticos. 

Duas coisas nos interessam aqui. A primeira é que Moisés lem­bra ao povo que em Horebe (ou seja, Sinai), o Senhor fez um pacto “conosco [...] Não foi com nossos pais” (5.2,3). Moisés está se diri­gindo àqueles que eram crianças naquela época ou que nasceram após o ocorrido. Além disso, ele claramente se refere, em 4.31, ao “concerto que jurou a teus pais”. 

29 de agosto de 2017

Timna

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Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - O conhecimento de Deus e o nome de YHWH

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O conhecimento de Deus

B. A história

Durante séculos os teólogos cristãos falaram da revelação como "a palavra de Deus". A maior parte dos teólogos sistemáticos fala que a revelação é proposicional, mas em 1952 G. Ernest Wright tentou recuperar a concepção bíblica de revelação a partir dos teólogos dogmáticos. Em God Who Acts ele disse: "O propósito desta monografia é descrever a natureza especial e característica da apresentação bíblica da fé e defender o uso da palavra ‘teologia’ para ela".[1] Wright alegou que, para a maior parte das pessoas, a revelação tem sido proposicional, expressa do modo mais abstrato e universal possível e organizada de acordo com um sistema preconcebido coerente. Obviamente, a Bíblia não contém nada assim. A teologia cristã tende a pensar na Bíblia principalmente como "a Palavra de Deus", embora na realidade um título mais adequado seja "os Atos de Deus". "A Palavra com certeza está presente nas Escrituras, mas raramente ou nunca é dissociada do Ato; antes, é o acompanhamento do Ato."[2] Wright definiu teologia bíblica como "o recital confessional dos atos redentores de Deus numa história em particular, porque a história é o principal meio de revelação".[3]

É provável que Wright tenha tido uma reação exagerada contra a forma proposicional da teologia sistemática, mas era sincero o seu esforço de permitir que o Antigo Testamento falasse com seus próprios termos. Wright foi influenciado nesse ponto pelo tratamento dado por von Rad aos "credos" do Antigo Testamento que recitavam os grandes atos de Deus (Dt 26.5-12).

A idéia de que a revelação é histórica está muito ligada às idéias da escola da história da salvação, que se pode remontar à "escola Erlangen" de J. C. von Hofmann em meados do século XIX. "A revelação é histórica" também era uma das cinco idéias-chave no movimento da teologia bíblica nos Estados Unidos, de acordo com B. S. Childs.[4]

Podemos concluir, portanto, que a revelação no Antigo Testamento é principalmente histórica. É histórica nos seguintes sentidos:

(1) Deus revelou-se em eventos e no ambiente da história do Antigo Testamento.

28 de agosto de 2017

Arqueologia da Filístia

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Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - Introdução ao livro de Deuteronômio (parte 2)

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I. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS DE DEUTERONÔMIO.

O livro de Deuteronômio nos é apresentado sob a forma e estilo dos discursos de Moisés, sendo dois breves, o primeiro e o terceiro, e um muito extenso, o segundo. Uma análise cuidadosa dos discursos revela uma grande variedade de unidades literárias. Em certa maneira o livro dá a impressão de extraordinária descontinuidade. Frequentemente muda depressa de um tema para outro, com aparentes interrupções do fluxo de pensamento. A despeito da grande repetição de vocabulário, há muitas mudanças de estilo, sendo uma das mais impressionantes a grande varia­ção no uso do singular “tu” e do plural “vós”. O livro como um todo su­gere a impressão de um mosaico notavelmente complexo de muitas peças de material tradicional, de grande variedade, que tenham sido fundidas de modo a formar uma unidade. Um bom número de aspectos da ques­tão literária será agora discutido.

A. As seções que empregam “tu” e “vós”

Uma característica incomum de Deuteronômio é que em muitas de suas divisões os verbos e os pronomes se encontram na segunda pessoa do singular, ao passo que em outras usa-se a segunda pessoa do plural. Em ambos os casos é a Israel que a passagem se refere.

Várias explicações têm sido oferecidas para tal fenômeno; mencio­naremos brevemente as mais importantes. Já em 1894 dois escritores alemães, W. S. Staerk[1] e C. Steuemagel,[2] haviam proposto que Deuteronômio deveria ser analisado segundo duas fontes, uma contendo subs­tantivos e verbos no singular, outra contendo substantivos e verbos no plural. Steuernagel argumentou que as seções “plural” eram históricas e que foram dirigidas por Moisés à geração de israelitas que recebeu a alian­ça do Sinai. As passagens “singulares”, por seu turno, foram dirigidas à geração de israelitas que empreendeu a conquista. Steuernagel acreditava ser necessário seguir essas duas fontes através dos capítulos 12 a 26. Um escritor mais recente, J. H. Hospers (1947), restringiu tal análi­se à introdução

27 de agosto de 2017

A credibilidade do livro de Juízes


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Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - Primeiro Discurso de Moisés (1.1—4.40)

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Primeiro Discurso de Moisés (1.1—4.40)

O livro de Números cobriu uma grande porção de tempo e histó­ria, aproximadamente quarenta anos (compare a primeira data descrita em Números, que é “no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito” [1.1], com a última data registrada em Números, que é “no quinto mês do ano quadra­gésimo da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia do mês” [33.38]). Deuteronômio, por outro lado, parece cobrir acontecimentos ao longo de um período de vinte e quatro horas. Isto pode ser visto ao compararmos os dois versículos seguintes:

Deuteronômio 1.3: “E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou”.

Deuteronômio 32.48: “Depois, falou o Senhor a Moisés, naque­le mesmo dia”.

Considerando, porém, que 1.5 declara que Moisés apenas “começou” a expor a lei no primeiro dia do décimo-primeiro mês, e não que ele “terminou” naquele mesmo dia, podemos supor que a expressão “naquele mesmo dia”, de 32.48, diz respeito aos even­tos narrados no capítulo 32 e que a morte de Moisés ocorreu em algum momento do décimo-segundo mês. E improvável, embora não impossível, que Moisés tivesse feito três discursos (1.5—4.40: 5.1; 28.68; 29.1—30.20), dissesse algumas palavras a Josué (31.7,8), compusesse e declamasse dois poemas (32—33) e então morresse, tudo dentro do período de vinte e quatro horas.

O grosso de Deuteronômio é muito parecido com o trecho que vai de Êxodo 19 a Números 10.11, ao longo do qual Israel está acampado no Sinai. Em Deuteronômio, Israel está acampado em Moabe; em Êxodo 1—18, está indo em direção ao Sinai; em Nú­meros 10.11—36.13, está indo rumo a Moabe. Os dois períodos de descanso são aqueles em que Deus fala (geralmente através de seu servo Moisés) de forma clara e ampla com seu povo. Tirando os momentos de maior agitação, é nesses acampamentos que o povo de Deus aprende a se aquietar, ouvir e discernir a voz de Deus para suas vidas e seus futuros.

24 de agosto de 2017

A virgem

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


RALPH L. SMITH - O conhecimento de Deus (Parte 1)

ralph smith
Revelação 

Por onde começamos o estudo da teologia do Antigo Testamento? Começaríamos por onde começa a Bíblia —com Deus como Criador— ou com o chamado de Abraão e o início da "história da salvação" (Dt 26.5-15)? Poderíamos começar com uma reflexão sistematizada sobre o material teológico veterotestamentário sobre Deus ou sobre a humanidade. Teólogos sistemáticos com freqüência iniciam pela "revelação". Talvez nem seja correto falar da "visão" israelita de revelação porque os israelitas nem possuem uma palavra que designe revelação, muito menos um tratamento sistemático do assunto. 

Ao selecionar a revelação como o ponto de partida necessário para a teologia, seguimos uma ênfase moderna. Como James Barr disse, uma afirmação da revelação é absolutamente necessária para a fé cristã; de outro modo, "teríamos uma série de idéias que elaboramos por nós mesmos".[1] Karl Barth, Emil Brunner, Paul Tillich, D. M. Baillie, Wheeler Robinson, Rudolph Bultmann e Wolfhart Pannenberg destacam, todos, a revelação.[2]

Por que hoje damos tanta ênfase à revelação, se nossa fonte de revelação não parece fazê-lo? James Barr disse que na teologia moderna a idéia de revelação atua contra dois problemas específicos que não existiam ou não eram importantes no mundo antigo. O primeiro problema é a negação de que Deus existe ou de que haja algum conhecimento verdadeiro a seu respeito. O segundo é fazer separação entre o conhecimento que Deus dá de si mesmo e os métodos e o conteúdo das ciências humanas independentes da revelação. "Na Bíblia, à parte de algumas concessões bem limitadas, não existe algum estágio em que Deus é desconhecido [...] Os problemas em relação às coisas sobre as quais a revelação atua parecem não existir na Bíblia ou não ser centrais nela. Em Israel Deus é conhecido."[3]

23 de agosto de 2017

Amom

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


J. A. THOMPSON - Introdução ao livro de Deuteronômio (parte 1)

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INTRODUÇÃO 

A narrativa do livro de Números termina com os filhos de Israel temporariamente acampados nas planícies de Moabe, defronte a Jericó, já no limiar da terra prometida (Nm 33:38, 49; Dt 1:5). A ocupação das terras a leste do Rio Jordão, que viríam a ser parte do território de Israel nos séculos seguintes, já fora completada. A esta altura da história fez-se uma pausa enquanto Moisés expunha a Israel o caráter de sua fé e nacio­nalidade. No livro de Deuteronômio as reivindicações de Javé, o seu Deus, são registradas em várias passagens, mas em toda parte fica evidente que Israel estava sendo desafiado a uma devoção exclusiva a Javé que execu­tara em seu favor grandes atos de livramento. Temereis ao Senhor vosso Deus, somente a Ele adorareis, a Ele vos apegareis. . . . Ele é 0 vosso Deus, que realizou em vosso favor feitos maravilhosos e tremendos que vistes com vossos próprios olhos. Quando vossos antepassados desceram ao Egito eram ao todo setenta pessoas, e agora o Senhor vosso Deus vos fez tão numerosos quanto as estrelas do céu (10:20-22, JPSA). A exigên­cia fundamental feita a Israel, que depois veio a ser a exigência funda­mental para os cristãos, era Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (6:5; cf. Mt 22:37; Mc 12:30;Lc 10:27). 

Deuteronômio é um dos maiores livros do Velho Testamento. Sua influência na religião pessoal e familiar de todas as épocas jamais foi supe­rada pela de qualquer outro livro da Bíblia. É citado mais de oitenta ve­zes no Novo Testamento[1] e pertence, assim, a um pequeno grupo de qua­tro livros veterotestamentários[2] aos quais os cristãos primitivos faziam referência frequente. 


I. TÍTULO

22 de agosto de 2017

DANILO MORAES - O Antigo Testamento e a Historicidade das Narrativas Patriarcais


Abimeleque em Siquém

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Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Análises de Deuteronômio

victor hamilton
Análises de Deuteronômio

Em relação ao restante do Pentateuco, Deuteronômio é considerado como uma espécie de excentricidade. Antes de mais nada, prossegue essa visão, sua teologia e temática são nitidamente diferentes das de seus vizinhos do Pentateuco. Por isso, o querigma de Deuteronômio deve ser visto como parte da teologia do Pentateuco, mas não deve ser considerado como representativo do todo. Torna-se compreensível, então, o porquê de encontrar­mos artigos que percorrem de Gênesis a Números, à parte de ar­tigos sobre temas em Deuteronômio e literatura deuteronômica.

O leitor poderá até mesmo encontrar comentários homiléticos e exegéticos que percorrem de Gênesis a Números em apenas um volume.


A Hipótese Documental

Parte da razão pela qual devemos considerar Deuteronômio separadamente do restante do Pentateuco tem a ver com as di­versas alegações da Hipótese Documental. Um dos princípios bá­sicos desta teoria é que as fontes hipotéticas J, E e P estão mistu­radas entre si de Gênesis a Números. Contudo, quase nada de D está presente nesses quatro livros bíblicos. Deuteronômio, por sua vez, não possui quase nada identificado como J, E e P.

Este último ponto de forma nenhuma sugere que o livro de Deuteronômio é visto pelos exegetas como uma unidade homogê­nea. Muito pelo contrário. Somente em duas áreas de estudos ve­mos algo que se aproxima da unanimidade. Um desses “resulta­dos garantidos” diz que Deuteronômio não é uma obra de Moisés, embora “elementos mosaicos” surjam aqui e acolá. Atribuir a au­toria desse livro a Moisés foi a forma que o autor encontrou para tentar atribuir certo grau de santidade ao texto e às idéias defen­didas. Em vez de usar seu próprio nome, bem menos influente, ele usa o pseudônimo do lendário Moisés. Estudiosos chegam a essa conclusão a despeito de Deuteronômio, dentre todos os livros do Pentateuco, ser o que mais resolutamente reivindica ser obra de Moisés. Tem-se, por exemplo: “E Moisés escreveu esta Lei” (31.9). O Pentateuco está repleto das falas de Moisés, mas refe­rências às suas atividades como escritor são mínimas.

20 de agosto de 2017

A estela de Merneptá

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Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - Chaves metodológicas no Antigo Testamento

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Chaves metodológicas no Antigo Testamento 

Será que o Antigo Testamento possui alguma explicação de como fazer teologia do Antigo Testamento? Claus Westarmann respondeu sim, dizendo: 

Se desejarmos descrever o que o Antigo Testamento como um todo diz acerca de Deus, precisamos começar examinando como se apresenta o Antigo Testamento [...] “O Antigo Testamento conta uma história” (G. von Rad). Com essa declaração chegamos à nossa primeira decisão acerca da forma de uma teologia do Antigo Testamento: se 0 Antigo Testamento relata 0 que tem a dizer em forma de uma história (compreendida aqui no sentido mais amplo de evento), então a estrutura de uma teologia do Antigo Testamento deve ser baseada mais em eventos que em conceitos.” 

Contar uma história é mesmo o único meio que o Antigo Testamento tem para apresentar sua mensagem? O Antigo Testamento é só um relato da história de Israel? Nada disso é verdade; ainda assim, a forma narrativa da maior parte do Antigo Testamento nos dá uma pista da natureza e da forma da teologia do Antigo Testamento. Os hebreus sabiam como era Deus por meio das coisas que ele havia feito. 

Walter Kaiser alegou ter encontrado o modo "bíblico" de fazer teologia do Antigo Testamento, embora tal modo deva excluir todos os "resultados garantidos" da crítica da fonte. Essa crítica apagou os vinculadores textuais de cada avanço em "palavra, evento e tempo" de um tema central unificador (a Promessa) que corre por boa parte do Antigo Testamento. Kaiser ainda asseverou que, ao ouvir o cânon como testemunha canônica de si mesmo, descobre-se que cada evento ou significado antecedente foi transmitido de uma figura-chave, geração, país ou crise para outro por vinculadores apagados ou atribuídos pela crítica a "redatores piedosos ou mal-orientados". Ele concluiu dizendo que "a teologia bíblica sempre permanecerá uma espécie em extinção até que os modos brutos da crítica das fontes imaginária, da história da tradição e de certos tipos de crítica da forma tenham sido detidos".[1] [2]

16 de agosto de 2017

Mudanças em Canaã

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


R. K. Harrison - O sexo e sua teologia

HARRISON ANTIGO TESTAMENTO
O SEXO E A SUA TEOLOGIA

Boa parte daquilo que se ensina na Escritura acerca do sexo ocorre no Antigo Testamento, de onde emerge de uma maneira que às vezes é explícita e às vezes revestida de eufemismos. A diferença sexual é descri­ta por termos tais como “macho” e “fêmea,” “homem” e “mulher,” “esposo” e “esposa.” H continuada no nível da estrutura física por tais palavras gerais como bàsàr (“carne,” “corpo inteiro,” seja humano, seja animal) sendo empregada num sentido eufemístico especial para denotar o órgão masculino da geração (cf. 17:11; Êx 28:42; Lv 15:2-18; Ez 16: 26, etc.) O termo hebraico yãrèk (“coxa,” “lombos”) também é empregado periodicamente para o órgão sexual masculino (cf. Gn 24:2,9; 46:26, etc.). Às vezes a palavra “pés” era empregada como substituto para as partes genitais masculinas (Êx 4:25; Rt 3:7; Is 6:2, etc,), e ocasional­mente para os órgãos sexuais femininos também. Um termo adicional, geralmente traduzido “nudez” nas versões, tem sido usado para denotar a exposição vergonhosa dos genitais femininos (Lv 18:6-19; 20:17-21; Lm 1:8, etc.). Embora eufemismos geralmente fossem geralmente empre­gados para descrever os órgãos sexuais e as atividades sexuais, tais carac­terísticas sexuais secundárias como as glândulas mamárias femininas eram mencionadas abertamente pelo nome. Tanto os órgãos genitais mascu­linos quanto os femininos eram freqüentemente descritos em termos do seu relacionamento ao corpo inteiro.

15 de agosto de 2017

A descida de Istar aos infernos


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Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - De Cades a Moabe (parte 2)

victor hamilton danilo moraesDe Cades a Moabe (parte 2) 

Baal-Peor (25) 

Israel havia chegado em Sitim, que fica a leste do Jordão e quase em frente a Jerico, do outro lado do rio. Foi de lá que Josué enviou os dois espiões (Js 2.1). Números 31.16 nos conta que Balaão maquinou um plano para envolver os israelitas sexualmente com as “filhas de Moabe”. Seu sucesso nessa empreitada foi tão abso­luto como fora seu fracasso em tentar amaldiçoar Israel. Onde a maldição fracassou, a sedução prevaleceu. Onde a abordagem in­direta falhou, um ataque frontal saiu vitorioso. Rute, a moabita, exibe mais adiante um extraordinário contraste com as mulheres moabitas de Números 25. 

Os israelitas novamente refletem sua insensibilidade para com questões morais e espirituais, mais do que felizes em se envolve­rem com as filhas de Moabe (possivelmente virgens, visto que no hebraico bíblico a expressão “filhas de”, seguidas do nome de um lugar, pode significar mulheres solteiras [Gn 36.2; 2 Sm 1.20,24; Is 3.16). Dessa forma, surge uma aliança profana entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gn 6.1-4). É ainda mais lamentá­vel que o relato de envolvimento sexual entre Israel e estrangei­ros venha logo após profecias de grandes bênçãos, proferidas por um estrangeiro. Quase tudo que Balaão disse sobre Israel (por exemplo: “eis que este povo habitará só” [23.9]; “O Senhor, o seu Deus, está com eles” [23.21 — NVT]; “Que boas são as tuas tendas, ó Jacó!” [24.5 — NVI]; “uma estrela procederá de Jacó” [24.17]) é desmentido pela imoralidade do capítulo 25. 

A primeira reação de Deus é de ira contra Israel. (Na história sobre Balaão e Balaque, a ira de Deus se acende contra Balaão [22.22], a ira de Balaão se acende contra sua jumenta [22.27] e a ira de Balaque se acende contra Balaão [24.10].) A ira divina aca­ba levando ao surgimento de uma praga (v. 9), mas a narrativa indica que suas repercussões teriam sido bastante mitigadas se os mandamentos divinos tivessem sido seguidos. Alguns estudio­sos estranham que Moisés tenha ignorado uma ordem direta de Deus: “Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor di­ante do sol” (25.4). Moisés ordena aos juízes: “Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vocês terá que matar aqueles que dentre os seus homens se juntaram à adoração a Baal-Peor [deus de fogo]” (v. 5). Em outras palavras, o que Moisés ordena não tem nada a ver com o que Deus tinha mandado. 

14 de agosto de 2017

O Boletim e o relatório poético da batalha de Cades

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - A natureza da teologia do Antigo Testamento

danilo moraes
A natureza da teologia do Antigo Testamento 

A. Nenhuma definição universalmente aceita 

Que é teologia do Antigo Testamento? Uma inspeção dos livros básicos sobre a teologia do Antigo Testamento escritos nos últimos 50 anos mostra pouca concordância quanto à natureza, tarefa e metodologia dessa disciplina. John McKenzie disse: "A teologia bíblica é a única disciplina ou subdisciplina no campo da teologia que carece de princípios, métodos e estrutura que recebam aceitação geral. Nem mesmo existe uma definição geral de seu propósito e escopo".[1] Gerhard von Rad escreveu que "não existe até o momento acordo quanto ao que realmente é o assunto [...] da teologia do Antigo Testamento".[2]


B. O Antigo Testamento contém "teologia"?

Alguns estudiosos relutam em dar o nome "teologia" a qualquer estudo que se limite ao Antigo Testamento ou mesmo a toda a Bíblia. James Barr disse que teologia significa o estudo de Deus, mas o estudo de Deus não deve ser limitado ao Antigo Testamento ou à Bíblia. Para Barr, a teologia deve incluir o estudo de história, filosofia, psicologia e o mundo natural, junto com a Bíblia.

Para alguns, teologia bíblica não é de fato teologia porque limita-se aos dados bíblicos e organiza-os de maneira descritiva. Para a maior parte dos teólogos sistemáticos, a teologia é um construto crítico moderno e "um refinamento de nossos conceitos de Deus em Cristo e na Igreja".[3]

12 de agosto de 2017

Debora e Baraque e a destruição de Hazor

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Bençãos, punições finais, votos e ofertas

antigo testamento R.K. Harrison
BÊNÇÃOS E PUNIÇÕES FINAIS (26: 1-46)

No Oriente Próximo antigo era costumeiro tratados legais termina­rem com passagens que continham bênçãos para aqueles que observas­sem os estatutos, e maldições sobre aqueles que não os observassem. Os tratados internacionais do segundo milênio a.C. regularmente incluíam tais seções como parte do texto, sendo que a lista das maldições era mui­to mais longa do que as promessas de bênçãos. No Antigo Testamento, este padrão geral ocorre em Êxodo 23:25-33, Deuteronômio 28:1-68, e Josué 24:20. As maldições dos textos jurídicos mesopotâmicos, ou aquelas nos tratados dos arameus, dos heteus e dos assírios eram amea­ças pronunciadas nos nomes dos deuses que tinham agido como testemunhas às alianças. Que estas ameaças poderiam ser implementadas fa­zia parte da crença supersticiosa das pessoas no Oriente Próximo antigo, e poderiam ter alguma base coincidental nos fatos. Para os israelitas, po­rém, não havia dúvida de que o Deus que operou o ato poderoso de li­bertação no Mar Vermelho realmente levará a efeito tudo quanto prome­teu, seja para o bem, seja para o mal. A obediência aos Seus mandamen­tos é a maneira certa de obter um derramamento consistente de bênçãos, ao passo que a continuada desobediência é uma garantia de castigo futu­ro. A frase “Eu sou o SENHOR vosso Deus” divide este capítulo em se­ções convenientes. A menção dupla do nome de Deus nos w. 1-2 e 44-45 forma um paralelo com aquela em Levítico 19:2-3, 36-37.

a. Bênçãos (1-13)

10 de agosto de 2017

O Palácio de Eglom

antigo testamento dasnilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - De Cades a Moabe (Parte 1)

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De Cades a Moabe

Números 20.22—36.13

Essa unidade começa com a narrativa da morte de Arão (20.22-­29), um evento que volta a ser lembrado em 33.38,39 e Deuteronômio 32.50. Moisés já havia perdido um parente, sua irmã Miriã (20.1). A história mais uma vez reflete um tema que predomina em Números: o pecado não pode ser negligenciado. Em conluio com Moisés, Arão não “creu” em Deus (20.12), mas “rebelou-se” contra sua ordem (20.24) — ambos os verbos estão na segunda pessoa do plural, no masculino.

Pode de certa forma surpreender, porém é Moisés que recebe a informação da morte iminente deArão. Ele é orientado a “tomar” Arão e seu filho, Eleazar, subir com eles o monte Hor e transferir as vestes de sumo sacerdote de Arão para Eleazar. Essa transfe­rência da liderança sacerdotal de pai para filho, da primeira para a segunda geração, simboliza a dinâmica desse quadragésimo ano de jornada no deserto: a transição da geração do êxodo para seus filhos. Acena lembra Abraão e Isaque em Berseba (Gn 22). Abraão devia “tomar” Isaque, que nada sabia sobre o propósito da missão, e levá-lo ao monte Moriá. Abraão, que sem questionar cooperou integralmente, corresponde a Moisés, que em tudo cooperou sem nada questionar. Ambos estavam preparados para dizer adeus a um parente próximo.

Moisés estava plenamente consciente das razões para a morte de Arão. Não vemos, contudo, indicação alguma de que Moisés se sentisse obrigado a expor de modo público tais razões, nem se aproveitou ele da oportunidade para pregar, com palavras de advertência e exortações.


Alguns dos Primeiros Conflitos e Vitórias (20.22—21.35)

8 de agosto de 2017

Os tabletes de Amarna e os habirus

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Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - O relacionamento judeu-cristão e a teologia do Antigo Testamento

danilo moraes
O relacionamento judeu-cristão e a teologia do Antigo Testamento 

Martin Woudstra tocou uma área sensível quando disse que K. H. Miskotte, A. A. van Ruler e Karl Barth destacaram demais 0 caráter “judaico” do Antigo Testamento.[1] Até recentemente, nenhum judeu participara da autoria de uma teologia do Antigo Testamento, e os judeus via de regra não tomavam parte na disciplina. O regime nazista (1933-1945), porém, mudou tudo isso. A matança de seis milhões de judeus no Holocausto causou em muitos líderes cristãos um sentimento de vergonha e culpa, porque sentiam que podiam ter contribuído para a ascensão e para a conduta de Adolf Hitler. 

O relacionamento entre judeus e cristãos tem sido tema de uma enorme quantidade de escritos e debates acalorados desde 1945. R. W. L. Moberly disse: “O crescimento do diálogo judeu-cristão tem sido um dos traços mais marcantes do debate teológico recente no mundo ocidental”.[2] Muitos cristãos arriscaram a vida protegendo judeus e se opondo a Hitler. Bonhoeffer, K. Barth, Miskotte, G. von Rad e outros líderes cristãos estiveram envolvidos ativa e publicamente na resistência aos nazistas. 

Karl Barth viu uma relação estreita entre 0 papel de Israel e 0 de Jesus. Ele disse que a missão de Jesus era a missão de Israel: 

7 de agosto de 2017

O período dos juízes

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Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Leis Rituais (parte 3)

harrison danilo moraes
C. Regras para a santidade sacerdotal (21:1 — 22:33)

Levítico enfatiza repetidas vezes o conceito da santidade divina como sendo o ideal que a vida individual e comunitária deve visar. Ao pas­so que capítulos anteriores trataram de circunstâncias do israelita mé­dio, a presente seção diz respeito aos padrões de santidade esperados dos sacerdotes. Porque muito lhes foi dado como sendo representantes de Deus na comunidade, muito mais será requerido deles, como resulta­do disto (cf. Lc 12:48), do que nos israelitas comuns. A matéria pode ser dividida facilmente em seis seções ao notar a fórmula de encerramento, que fala do Senhor como o santificador (21:8, 15, 23; 22:9, 16, 32). Os regulamentos para a santidade sacerdotal nesta seção tinham seu pa­ralelo, até certo ponto, no período exílico, nas ordenanças que forma­vam partes da visão de Ezequiel de um templo restaurado em Jerusalém (Ez 44:1-31). Há certas diferenças nos dois relatos, no entanto, que são dignas de nota. Em primeiro lugar, a legislação mosaica era primária, tendo sido revelada por Deus diretamente a Moisés, ao passo que a ma­téria em Ezequiel tinha a natureza de uma visão, e, portanto, era subje­tiva mais do que objetiva. Ao invés de preceituar ordenanças e estatu­tos, o profeta Ezequiel meramente está descrevendo o comportamento de sacerdotes que já estavam vivendo de acordo com aqueles estatutos.

Em segundo lugar, a experiência visionária recapitula um aspecto da Torá de modo verdadeiramente profético, e não introduz qualquer coisa de natureza inovadora ou distintiva nos deveres sacerdotais. Além disto, ao passo que a matéria em Levítico descreve com considerável detalhe o papel sacerdotal, a visão de Ezequiel meramente o resume como par­te da descrição da atividade no templo que viu. Parece haver pouca dú­vida quanto à existência antecedente prolongada dos preceitos levíticos, dos quais a matéria em Ezequiel se constitui em reflexão um pouco gene­ralizada. As duas seções, no entanto, enfatizam a exigência fundamental da santidade no serviço do Senhor.

1-9. Ser um dos sacerdotes do Senhor era uma posição altamente responsável, visto que a pessoa que a detinha era, em efeito, um substi­tuto de Deus entre o povo. Como outras ofertas vivas apresentadas ao Senhor, o sacerdote devia ser livre de máculas físicas e cerimoniais, de tal maneira que fosse aceitável a Deus (cf. Rm 12:1). Seu modo de vida era cercado por restrições que tinham o propósito

3 de agosto de 2017

DANILO MORAES - O Antigo Testamento e as Narrativas Patriarcais

danilo moraes
O interesse pela Historicidade dos Patriarcas, não se restringe somente a exegetas e pesquisadores do tema, pois, todo o Antigo Testamento e a história de Israel é posto sob um novo prisma mediante os resultados apresentados pelas pesquisas recentes, principalmente as destinadas ao Pentateuco, que inclui as narrativas patriarcais.

Veremos que na história da interpretação da Historicidade Patriarcal muitos críticos expuseram suas conclusões precipitadamente, sem, contudo, avaliar as consequências que acarretariam para a sociedade, para a igreja e para a própria autoridade das Escrituras. Consequentemente teólogos conservadores não mediram esforços em denunciar e atacar as conclusões que se desviavam das doutrinas tidas como bíblicas e expressadas durante toda história da igreja.
Autor Danilo Moraes

Siquém

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Bíblia de Estudo Arqueológica



VICTOR P. HAMILTON - Do Sinai a Cades (Parte 2)

Do Sinai a Cades (Parte 2)


Outras Rebeliões contra Moisés (15—18)


O capítulo 15 interrompe de maneira abrupta a seqüência de Números, sem qualquer relação visível com o que vem antes ou depois. E uma unidade completamente dedicada a questões de adoração e encontra-se comprimida entre casos de maledicência contra Moisés (13—14; 16—18). Para comparar, imagine uma elaborada dissertação de Lutero sobre a preparação do vinho para a eucaristia, espremida entre relatos de suas contendas com a lide­rança da Igreja Católica Romana.

Desprezar a localização do capítulo como uma invasão e inser­ção sem sentido é, no entanto, injustificável. Cinco questões são abordadas nesse capítulo: informações adicionais sobre os primei­ros três sacrifícios detalhados em Levítico (ofertas de holocaustos, manjares e pacíficas [vv. 1-16]); a oferta das primícias (vv. 17-21): informações repetidas e complementares sobre a oferta pelo pe­cado, girando em torno de pecados inadvertidos ou motivados pela ignorância (vv. 22-31); um caso de pena de morte pela violação do Sábado (especificamente por recolher lenha [vv. 32-36]); a coloca­ção de franjas nas bordas das vestes (vv. 37-41). No judaísmo, a importância adquirida posteriormente pela franja pode ser avali­ada em duas referências de Mateus: “a orla da sua [de Jesus] ves­te” (9.20) e “eles [os escribas e fariseus] fazem [...] as franjas de suas vestes bem longas” (23.5 - NVI).