30 de julho de 2017

Cidade dos levitas

biblia arqueologica
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - A situação atual da teologia do Antigo Testamento

ralph smith danilo moraes
A situação atual da teologia do Antigo Testamento

A. O interesse continuado na teologia do Antigo Testamento até 1985 e o fluxo de literatura sobre o tema

A teologia bíblica pode estar em crise, mas isso não deteve o fluxo de teologias do Antigo Testamento, de artigos e estudos que tratam de aspectos importantes do tema. Várias teologias novas do Antigo Testamento surgiram desde 1970. Um estudioso católico, A. Deissler, escreveu Die Grundbotschafl des Alien Testaments em 1972. Deissler via o centro da fé veterotestamentária como o relacionamento de Deus com o mundo e com o ser humano.

Walther Zimmerli publicou seu livro Old Testament Theology in Outline em 1972. Ele considerou o Antigo Testamento um “livro de pronunciamentos”, em contraste com o conceito de von Rad do Antigo Testamento como um “livro de história”. Zimmerli fez do primeiro mandamento seu ponto de partida e centro do seu estudo. Disse ele: “A obediência a Javé, o único Deus, que libertou Israel da escravidão e zela por ser o único, define a natureza fundamental da fé veterotestamentária”.[1]

Georg Fohrer, editor de 2AW, publicou seu livro Theologische Grundstrukturen des Alien Testaments em 1972. O primeiro capítulo trata do problema da interpretação do Antigo Testamento. O capítulo 2 trata de revelação e o Antigo Testamento. Fohrer, como existencialista, via a revelação nas decisões de vida e morte do ouvinte. O capítulo 3 fala da diversidade de atitudes diante da vida no Antigo Testamento. O capítulo 4 estuda a questão de um centro ou ponto eqüidistante no Antigo Testamento, que Fohrer cria ser a soberania de Deus e a comunidade de Deus. O capítulo trata do poder transformador e do potencial da fé veterotestamentária. O capítulo 6 descreve certos elementos básicos no Antigo Testamento, como o fato de Deus se manter oculto, e seus atos na história e na natureza. O capítulo 7 faz uma aplicação, ao lidar com tópicos como a crise do ser humano, o estado e a política, pobreza e projetos sociais, o ser humano e a tecnologia, e o futuro na profecia e na literatura apocalíptica.[2]

Em 1974, John L. McKenzie, um destacado estudioso católico do Antigo Testamento, publicou A Theology of the Old Testament. Em seu prefácio, McKenzie disse que uma teologia do Antigo Testamento ou uma história de Israel oferece ao autor uma oportunidade de fazer um resumo de toda a sua obra.

29 de julho de 2017

Cidades de refúgio

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

R. K. Harrison - Leis Rituais (parte 2)

Regulamentos adicionais (19:1-37) 

As palavras finais do capítulo anterior: Eu sou o SENHOR vosso Deus, servem como uma transição natural para este corpo específico de legislação, que também regula a santidade da vida comunitária. Embora esta seção trate de uma ampla variedade de preceitos morais, legais, ceri­moniais e espirituais, de tal maneira que pareça desorganizada, realmen­te está disposta em termos de dezesseis parágrafos distintos, cada um dos quais termina com a frase Eu sou o SENHOR (vosso Deus). Estas passagens estão dispostas em três seções principais (2b-10; 11-18; 19­37) de quatro, quatro e oito unidades respectivamente. Os estudiosos judeus têm visto na matéria um paralelo dos Dez Mandamentos, cujos preceitos são recapitulados da seguinte maneira; I e II no v. 4; III no v. . 12; IV e V no v. 3; VI no v. 16; VII no v. 29; VIII e IX nos w. 11 a 16; e X no v. 18.80 

l-2a. Uma seção introdutória reitera a exigência de Deus no sen­tido de que Seu povo seja santo. Esta injunção, como todas as demais leis da aliança, deve ser tornada pública e observada por todos. A ênfa­se dada à congregação indica que todos os membros devem fazer sua parte para manter o gênio distinto da aliança, e ninguém está isentado da responsabilidade de garantir que a santidade seja um princípio regu­lador da vida diária. 

20-10. Obrigações religiosas 



2b. A santidade de Deus deve ser considerada um modelo para a vida individual e comunitária. Este princípio pode muito bem ser con­siderado a divisa do povo da aliança. As características pessoais da san­tidade conforme são refletidas na natureza de Deus incluem o estado aperfeiçoado de atributos éticos tais como a justiça, o amor, a bondade [1] [2] e a pureza. A santidade, porém, também descreve Seu infinito poder, grandeza e exaltação sublime acima da Sua criação, que faz com que o homem pareça, por contraste, perdido e totalmente indigno. Como consequência, os que reverenciam a Deus como sendo Santo, conside­ram-No com medo e reverente temor (cf. SI 96:9; Is 8:13) por causa dos Seus juízos contra a humanidade (cf. SI 119:9; Ez 36:21-24; Hb 10:31 ; 12:26-29). A santidade de Deus é a antítese da imperfeição hu­mana e revolta-se contra tudo quanto é impuro ou maligno (Hc 1:13). Ao conclamar o cristão a ser perfeito (Mt 5:48), Jesus estava fazendo as mesmas exigências quanto à santidade da vida como aquelas que' se acham na Torá. A santidade é um dos resultados da obediência irrestri­ta à vontade de Deus. Deve ser notado que a obediência é ressaltada re­petidas vezes em Levítico, e não o amor que o homem tem para com Deus, que não é mencionado no livro, embora seja notado noutros lugares (Êx 20:6; Dt6:5; 10:12, etc.). 

3. A reverência para com os pais é um ato de piedade para com Deus, visto que os pais são substitutos do Pai celestial no que diz respei­to aos seus filhos. Em Êxodo 20:12 o pai antecede a mãe, e o verbo é “honrar” ao invés do Hebraico “temer” (respeitará) neste versículo, no entanto, termo este que é usado para a reverência para com Deus. O sig­nificado com respeito ao dever filial, porém, fica claro. Os pais, seja qual for sua posição na sociedade ou sua condição física ou mental, devem ser tratados com respeito e amor. Este é um dos mais importantes de todos os deveres e responsabilidades humanos. Honrar o sábado, que foi substituído pelo primeiro dia da semana (cf. Mt 28:1; Mc 16:1; Lc 24: 1; Jo 20:1) no ensino cristão, fornece uma oportunidade regular para o crente adorar a Deus na companhia doutras pessoas, e para contemplar até que ponto sua vida está de acordo com as exigências da santidade divina. Reverenciar os pais como sub-rogados de Deus está a um só passo da veneração do próprio Deus. 

4. Ser dado a qualquer forma de idolatria é expressamente proi­bido, sendo que os ídolos (Heb. ‘eUlím) são literalmente “coisas de nada,” “não-existência^” (cf. Is 44:10). A palavra para “ídolos” é semelhante, quanto ao som, àquela para “Deus” ( ’elõhtm), e as duas são contrasta­das para demonstrar a plenitude de Deus em contraste com o vazio de ído­los de pedra ou de madeira. No fim, os israelitas sucumbiram diante dos encantos da idolatria cananéia, e por causa disto foram castigados com o exílio. 

5-10. A propriedade ritual mais uma vez é enfatizada aqui, pois embora o sacrifício seja voluntário, deve ser oferecido em completa con­formidade com os procedimentos preceituados, a fim de que as inova­ções não resultem em castigo ao invés de aceitação. As regras são dadas em Levítico 3:1; 7:15-18, e fornecem um método distintivo de sacrifi­car ofertas pacíficas, sem qualquer mácula do paganismo. Os cristãos devem ser escrupulosos ao certificar-se que suas formas de adoração são totalmente bíblicas, e que não são contaminadas pela superstição ou por valores puramente humanos. Senão, aquilo que é santo ao Se­nhor será profanado, e seguir-se-á o castigo ao invés da bênção (8). A so­licitude do próprio Deus para com os pobres entre Seu povo deve ser refletida pelos israelitas na prática de deixar para aqueles uma pequena quantidade de grãos e frutos na ocasião da ceifa. A consciência de co­munidade entre os israelitas era tal que o pobre era considerado um ir­mão ou uma irmã, e era tratado à altura (cf. Atos 4:34-35). 

28 de julho de 2017

O lugar de culto em Taanaque

antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - Do Sinai a Cades

DO SINAI A CADES

Números 10.11—20.21

Os israelitas, desde sua chegada ao Sinai, já tinham ouvido muita coisa, tanto de Moisés como de Deus. Houvera abundância de instruções, regulamentos e exortações. Agora, porém, era chegada a hora de levantar o acampamento e partir. O Sinai não era o destino geográfico que Deus havia preparado para seu povo, assim como o Monte da Transfiguração não foi o objetivo final de Pedro, Tiago e João. Devia, contudo, servir para revigorar o povo de Deus ao lhe permitir um conhecimento mais profundo do Senhor.



Da Marcha à Lamúria (10.11—12.16)

Frank Cross1 faz notar a proliferação da frase “e os filhos de Israel partiram de...” em Êxodo e Números. Ele compara essa fra­se com “essas são as gerações de...”, que aparece por dez vezes em Gênesis. Sete dessas frases — “e eles partiram de...” — encontra- se em Êxodo: 12.37; 13.20; 14.2; 15.22; 16.1; 17.1; 19.2.

As outras cinco ocorrências estão em Números: 10.12; 20.1,22; 21.10; 22.1. A partida do Sinai, porém, foi algo singular. Os israelitas levariam consigo lembranças que jamais esqueceriam. O cenário descrito em 10.11-36 é dramático e vibrante: bandeiras tremulando, a presença de Deus claramente manifesta e todos com grandes expectativas de conquistas em mente. Até surpreen­de um pouco o fato de Moisés chamar seu sogro, Hobabe, para acompanhá-los ao deixarem o Sinai (vv. 29-32, com especial des­taque para o 31); pois, diz Moisés a seu sogro midianita, “tu sabes que nós nos alojamos no deserto; de olhos nos servirás”. Quem era então o guia de Israel: a presença divina na nuvem de fogo. Hobabe ou ambos? No caso de serem ambos, a passagem demons­tra a relevância atribuída pela Bíblia tanto ao esforço divino como ao esforço humano como sendo fundamentais na promoção da von­tade de Deus. Para um outro exemplo da mesma realidade, lem­bre-se de que Josué enviou espiões a Jerico, em Josué 2, logo após Deus ter garantido a vitória de Israel em Josué 1 (“Ninguém se susterá diante de ti”). Se, após uma primeira recusa, Hobabe acei­tou acompanhá-los (o que não é de forma alguma assegurado pelo texto), não há nenhuma passagem subseqüente que destaque al­guma contribuição sua. Nas passagens seguintes, vemos Jeová sendo honrado, mas não o sogro de Moisés.