30 de junho de 2016

Gerard Van Groningen - O Conceito Messiânico nos Profetas Não-Canônicos

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O Conceito Messiânico nos Profetas Não-Canônicos 

No período entre Moisés e os profetas canônicos, a terceira era da ativi­dade profética,[1] houve revelação messiânica em variados graus. A atividade profética em si própria não atingiu um ponto muito elevado durante esse tempo. Embora os registros bíblicos não mencionem muitos profetas indivi­dualmente, o terceiro e quarto níveis de profecia estavam presentes.[2] Uma das principais indicações disso é que os poucos profetas mencionados são tidos como parte de um fenômeno bem conhecido.[3] Por exemplo, quando se faz referência a Débora[4] como profetisa (Jz 4.4) e a um profeta anônimo que falou antes que Gideão fosse chamado (6.11-23), não se dá nenhuma explicação sobre o que era um profeta, nem se diz que alguma coisa singular e especial estava presente.[5] A atividade profética, além disso, deveria ser considerada uma conseqüência natural da obra profética especial que Moisés, o profeta incom­parável, cumpriu (Dt 34.10-12). É também um elo entre a atividade profética de Moisés e a dos profetas canônicos; de fato, durante o período que vai de Josué aos profetas escritores, a cena estava sendo preparada para os últimos exercerem sua tarefa profética. 

O principal aspecto do contexto desenvolvido durante essa terceira fase foi a formação da monarquia: o estabelecimento da dinastia davídica, a escolha de Jerusalém para ser a cidade real, a centralização do culto por meio da constru­ção do templo de Salomão, e a expansão do reino de Israel sob Davi e Salomão. Esses fatos têm significação messiânica; desses, alguns dão expressão direta ao conceito messiânico. E é importante compreender também que o ministério dos profetas estava estreitamente relacionado com alguns desses aspectos. 

Neste capítulo explicaremos o papel de vários profetas durante a terceira era da atividade profética na revelação e no desdobramento do conceito messiânico. Devemos destacar novamente que muito desse conceito tinha-se tomado conhecido por meio de Moisés.[6] Davi e Salomão foram também figuras messiânicas.[7] Daremos agora atenção a alguns profetas menos conhecidos, bem como a Elias e Eliseu. 



Os Profetas Menos Conhecidos, 

29 de junho de 2016

DEREK KIDNER - Introdução ao livro de Gênesis

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INTRODUÇÃO 

I. Matriz e Berço de Gênesis 


Das obras procedentes do antigo Oriente Próximo que conhece­mos, nenhuma é, nem de longe, comparável, em escopo, ao livro de Gê­nesis, para não mencionar qualidades menos mensuráveis. Certos poe­mas épicos oriundos da Babilônia falam da criação; outros falam de um dilúvio. A versão mais completa que existe do Épico de Atrahasis, de mais de 1200 versos, liga os dois acontecimentos numa só história contínua[1] que nos dá uma espécie de paralelo de 1-8. Mas, ao termina­rem esses poemas, Gênesis mal está começando. A narrativa deste co­meça num ponto bem anterior ao daqueles (visto que, neles, as águas, personificadas, são o princípio, e os deuses que as dominam são apenas seus produtos) e só termina quando a igreja do Velho Testamento já está firmemente alicerçada e quatro gerações de patriarcas tinham tido vida momentosa no cenário de duas civilizações diferentes. 

O livro se desenrola em duas partes desiguais, a segunda das quais começa com o aparecimento de Abraão na junção dos capítulos 11 e 12. Os capítulos 1 a 11 descrevem duas progressões antagônicas: primeiro, a ordenada criação realizada por Deus, até o seu clímax no homem co­mo ser responsável e abençoado; e depois a obra desintegradora do pe­cado, até o seu primeiro grande anticlímax no mundo corruto do dilúvio, e seu segundo anticlímax na loucura de Babel. 

28 de junho de 2016

R. K. HARRISON - O Período dos Macabeus

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O Período dos macabeus

CRONOLOGIA DESTE CAPÍTULO

O Período Grego . 331-65 a.C

O Período Romano   A partir de 65 a.C

QUANDO ALEXANDRE, O GRANDE, MORREU EM 323 A.C, O ÍMPÉRIO QUE ele havia estabelecido perdeu a liderança, e em uma tentativa de resolver o im­passe, os seus generais dividiram entre si o território conquistado. Como resul­tado deste procedimento, cinco províncias separadas se originaram. O Egito foi colocado sob o controle de Ptolomeu, que agiu como regente por alguns anos antes de se tornar realmente o governante supremo. A Babilônia se tornou o berço do regime selêucida enquanto a Macedônia foi entregue a Antípatro. Ou­tros dois territórios, Trácia e Frigia, foram governados por Lisímaco e Antígono respectivamente. Em um momento subsequente, outras divisões ocorreram dentro do império, e por fim ali emergiram as três dinastias do Egito, Síria e Macedônia.

Os Ptolomeus

27 de junho de 2016

John Bright - O Período da conquista Assíria: De meados do século oitavo à morte de Ezequias

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De meados do século oitavo à morte de Ezequias

No terceiro quartel do século oito, Israel viu-se diante de
circunstâncias que alteraram decisiva e permanentemente sua
situação política. Até o momento, traçamos a história de duas
nações independentes. Embora elas tenham guerreado continuamente com seus vizinhos, tendo sido algumas vezes humilhadas, nunca tinham perdido a sua autonomia; e tampouco
a sua sorte, embora não afetada pela corrente dos acontecimentos mundiais de maiores repercussões, tinha ficado em tempo algum dependente de outros impérios, a não ser indiretamente.

A verdade é que toda a história de Israel, através dos
quinhentos anos de sua existência como povo, fora desenvolvida
num grande vazio de poder; não existira nenhum império capaz
de perturbá-lo profunda e permanentemente. Como resultado
de tudo isto, Israel nunca se encontrara diante de uma emergência que, de uma maneira ou de outra, não tivesse sido capaz de vencer, e de sobreviver a ela.

Depois da metade do século oitavo isto não mais iria acontecer. A Assíria resolveu com toda a seriedade transformar-se num grande império, e as nuvens que por muito tempo haviam

26 de junho de 2016

Gerard Van Groningen: Conceito Messiânico nos profetas posteriores - Sumário e Prelúdio

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Sumário e Prelúdio 

Sumário 

O Contexto do Conceito Messiânico 

Yahwéh criou homem e mulher à sua imagem e semelhança; colocou-os em posição de autoridade e responsabilidade sobre o cosmos criado. Assim, desde o próprio início da existência humana, a idéia de realeza tem estado presente. O Rei soberano da criação formou a humanidade para ser real, e colocou homem e mulher em posição de autoridade, honra, poder e responsabilidade régios. 

O caráter, posição e função régios foram suplementados, fortalecidos e enriquecidos com características e responsabilidades proféticas e sacerdotais. Adão foi um rei profético, como também foi um rei sacerdotal. O que alguns eruditos consideram realeza sacra não é um conceito inteiramente estranho ao Velho Testamento. É verdade que a explanação da origem e das funções das pessoas régio-sacras não foi corretamente compreendida nem esclarecida apropriadamente. De maneira semelhante, a relação entre as funções proféticas e sacerdotais foi e ainda é freqüentemente mal interpretada. O fato básico de que Yahwéh estabeleceu essa relação é ignorado ou negado. 

A queda da humanidade em pecado poderia ter obliterado completamente seu caráter real, profético e sacerdotal. Yahwéh, entretanto, o manteve, pro­vendo outra Pessoa real para levar adiante, de modo pleno e perfeito, o papel sacerdotal e profético. Assim fazendo, Ele propiciou o meio pelo qual as próprias características, a autoridade e as responsabilidades reais, sacerdotais e proféticas da humanidade deveriam ser mantidas, renovadas e realizadas. 

R. K. HARRISON - A Ascensão do Judaísmo

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A Ascensão do Judaísmo 

CRONOLOGIA DESTE CAPITULO 

O Período Grego 331—65 a.C. 

EMBORA OS POVOS DE ISRAEL E DE JUDÁ TIVESSEM SE DEPARADO com o exílio em períodos sucessivos, e tivessem sido espalhados entre os es­trangeiros, eles nunca foram totalmente absorvidos pelas comunidades nas quais se estabeleceram. Na maioria das vezes, os judeus da Diáspora, como es­tas colônias expatriadas eram chamadas, conseguiram sobreviver através do exercício de suas crenças religiosas distintivas. Durante o regime persa, eles tiraram proveito da tolerância política que era geralmente mostrada aos po­vos subjugados, e utilizaram suas habilidades na vida política, administrativa e comercial do império. Comunidades judaicas emergentes surgiram em pon­tos largamente separados, e a sua lealdade à lei aquemeniana frequentemen­te fazia com que fossem olhados com desconfiança pelos seus vizinhos menos prósperos, muitos dos quais se ressentiam amargamente do domínio persa. 

O Início do Anti-Semitismo 

25 de junho de 2016

John Bright - Israel e Judá dos meados do século nono aos meados do século oitavo

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ISRAEL E JUDÁ DOS MEADOS DO SÉCULO NONO
AOS MEADOS DO SÉCULO OITAVO

1. Meio século de fraqueza

Embora Jeú tenha livrado o seu país do culto de Baal
de Tiro e tenha sido capaz de fundar uma dinastia que
governou aproximadamente por um século (a mais longa dinastia que teve Israel), seu reinado (842-815) não foi um reinado feliz. Pelo contrário, ele inaugurou um período de calamitosa debilidade, durante o qual o Estado do norte quase
perdeu a sua existência independente. Isso deveu-se não somente à confusão interna, mas a circunstâncias que se originavam além das fronteiras de Israel e sobre as quais ele não
tinha controle.

a. O que aconteceu depois do expurgo de Jeú. — O expurgo, embora tenha sido um fato extremamente lamentável e provavelmente tenha salvo Israel de uma perigosa mistura com um ambiente pagão, deixou a nação inteiramente paralisada. A estrutura das alianças sobre as quais se fundamentava a política da Casa de Omri — uma política que, por todos
os seus resultados nocivos, fez voltar Israel a uma posição
de relativa força — foi destruída de golpe. E o foi necessariamente. O assassinato de Jezabel e de seus seguidores tírios, e
o conseqüente insulto a Baal Melcart acabaram abruptamente
com as relações com a Fenícia, enquanto que a aliança com
Judá não pôde sobreviver ao assassinato do rei Acazias e de
muitos de sua família e sua corte. Com o colapso dessas duas
alianças, Israel perdeu, de um lado, a principal fonte de sua prosperidade material e, de outro, o seu único aliado militar de confiança.

24 de junho de 2016

Gerard Van Groningen: Conceito Messiânico 2 - Alguns Salmos

antigo testamento
Elaboração Poética do Conceito Messiânico - 2 

Comentários Sobre Alguns Salmos 

Salmo 68 

O texto hebraico do Salmo 68 não foi tão bem preservado quanto outros. Este fato, e o caráter difícil da estrutura do salmo, têm criado para os eruditos muita dificuldade na sua interpretação como um todo, especialmente de algumas partes.[1] Davi é referido como o autor (cf. o título [TM 1]). O salmo era cantado quando o exército de Israel retomava da batalha e indubitavelmente era cantado também em festas e no culto do templo. Delitzsch observa que certas referências no salmo sugerem uma ambientação histórica depois da divisão do reino. Ele próprio sugere, porém, que o retomo a Jerusalém, depois da vitória de Davi sobre a coalizão siro-amonita, oferece um contexto histórico o mais aceitável.[2] Todos os escritores concordam em que um título apropriado para esse salmo incluiria uma referência a uma procissão triunfal do rei e seu exército. A maneira pela qual essa vitória, celebrada por ocasião do retomo do rei, é expressa no salmo tem desafiado, de modo especial, os críticos. Davi obviamente baseia-se em revelações passadas de Yahwéh, por palavras e atos. Delitzsch resumiu esse fato da seguinte maneira: "É um salmo no estilo de Débora, que se coloca no mais alto estágio do recital de hinos; tudo o que há de mais glorioso na literatura do período anterior está concentrado nele. As próprias palavras memoráveis de Moisés, a bênção mosaica, as profecias de Balaão, o Deuteronômio, o cântico de Ana, todos ecoam aqui.[3]

23 de junho de 2016

John Bright: Israel e Judá da ascensão de Onri até o expurgo de Jeú (876-842)

história de israel
1. A Casa de Omri: recuperação de Israel

Finalmente, Israel tinha conseguido estabilidade, graças
ao rigoroso Omri, cuja posse no trono já assinalamos. Embora
seu reinado tenha sido breve (876-869), ele foi capaz de estabelecer uma dinastia que se manteve no poder até a terceira
geração e de iniciar uma política que restaurou Israel em sua
força e prosperidade.

a. A situação política por ocasião da ascensão de Omri.

Pode-se dizer que Omri subiu ao poder no momento exato,
pois cinqüenta anos de instabilidade tinham deixado Israel
incapaz de defender-se contra seus vizinhos hostis. Especial mente perigoso entre eles era o reino arameu de Damasco, que
havia usurpado progressivamente a antiga posição de Israel
como potência dominante da Palestina e da Síria. Seu governante era o ancião muito capaz Benadad I (aproximadamente
880-842), que, alguns anos antes, havia assaltado Baasa, devastando o norte da Galiléia e provavelmente apoderando-se