31 de maio de 2013

Eugene H. Merril - Uma Teologia do Pentateuco (Introdução)

Uma teologia da Bíblia ou de suas partes tem de examinar cuidadosamente
o cenário da composição original — a época, o lugar, a situação e o autor — e
a questão da forma e função canônica final.  Isto é particularmente verdadeiro
acerca de uma teologia do Pentateuco, pois as tradições judaica e cristã o consi-
deram universalmente fundamental ao que quer que o Antigo e o Novo Testa-
mento digam teologicamente. É de extrema importância que demos atenção ao
pano de fundo do Pentateuco, no qual são tratados tais elementos do cenário.
A posição do Pentateuco no começo de toda organização conhecida do
Cânon bíblico já é uma confirmação da premissa de que estes cinco livros são
o manancial da inquirição teológica.  A própria ordem dos livros — Gêne-
sis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio — é, de acordo com todas as
tradições, intrínseca à composição mosaica original como também à forma
canônica final.

30 de maio de 2013

Roland de Vaux - O Nomadismo e suas Sobrevivências

Os antepassados dos israelitas, e os próprios israelitas no princípio de sua história, levavam uma vida nômade ou seminômade. Depois de sua sedentarização conservaram traços de seu primeiro modo de vida. Um estudo das instituições do Antigo Testamento deve considerar, primeiramente, este estado social pelo qual passou Israel. O estudo é delicado pois as tradições sobre as origens do povo foram, até certo ponto, sistematizadas na Bíblia. Conservam, no entanto, muitos elementos antigos que são altamente interes-santes. Pode-se também explicar a organização primitiva de Israel comparan- do-a com a daqueles povos nômades que lhe são afins, seja pelo lugar onde habitavam, seja pela raça: os árabes de antes do Islão, conhecidos através dos textos, e os árabes de nossos dias, que têm sido objeto de estudos etnográficos. Em todo caso, é necessário guardar-se de comparações precipitadas que esquecem certas diferenças essenciais. Efetivamente, mesmo restringindo-nos ao Oriente Médio, o nomadismo revestiu e reveste hoje - por quanto tempo ainda? - formas muito variadas.

Teologia Bíblica - Pregando no Antigo Testamento

Ao pregar as Escrituras, é vital compreender onde o livro que estamos estudando se situa na linha do tempo da história redentiva. Correndo o risco de simplificar demais, fazer boa teologia bíblica ao pregar consiste em dois passos básicos: olhar para trás e, então, olhar para o todo.

Olhar para Trás – Teologia Antecedente

Walter Kaiser nos lembra de que nós deveríamos considerar a teologia que antecede cada livro à medida que pregamos as Escrituras. [1]

29 de maio de 2013

Gleason L. Archer - A Arca de Noé e o Dilúvio

Quanto ao Grande Dilúvio de Gênesis caps. 6 — 8, alguma
discussão já foi levantada quanto às bases especiais sobre as quais 
Wellhausen baseou sua dissecação da narrativa em J e P. Nesta
discussão, foi demonstrado que a seção inteira forma uma narra-
tiva bem integrada e homogênea. Mas a comparativa falta de evi-
dências geológicas dum cataclismo de âmbito mundial tem levan-
tado dúvidas quanto à universalidade do Dilúvio. Depósitos do tipo
que um dilúvio deixaria não foram achados de maneira caracterís-
tica ou uniforme nos sítios escavados no Vale da Mesopotâmia. O
estrato grosso deixado por uma inundação, descoberto por Leonard
Wooley em Ur data do quarto milênio (cerca de 3.800 a.C.), mas
apenas um outro estrato de aluvião daquela mesma época tem sido
descoberto até hoje: aquele achado por Stephen Langdon em Quis
(a propósito, um depósito com bem menos profundidade). Os
outros depósitos de inundações, descobertos em Quis, Surupaque,
Uruque e (possivelmente) Lagás, representam uma inundação de
mil anos mais tarde, a julgar pelas remanescências arqueológicas
e pela seqüência estratográfica.  Conquanto as escavações não
tenham penetrado em todos os casos até o nível que seria o equi-

Professor italiano descobre versão mais antiga da Torá

BOLONHA (ANSA)  - Um pesquisador da Universidade de Bolonha, no norte da Itália, descobriu na biblioteca universitária um exemplar da Torá, a Bíblia hebraica, que se acredita seja o exemplar mais antigo, completo e bem preservado do mundo. O documento foi escrito sobre pele curtida de ovelha, tem 64 centímetros de altura e 36 metros de comprimento, em forma de rolo. Chamada de "Rolo 2", a Torá contém o texto completo em hebraico do chamado Pentateuco, que corresponde aos livros Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuterônimo do Antigo Testamento da a Bíblia cristã.

28 de maio de 2013

Eugene H. Merrill - As Distinções da Teologia Sistemática

Os termos bíblico e teologia evocam uma gama de conotações e associações.
O que, então, dizer da combinação Teologia Bíblica. Não é tautológico o uso em
conjunto? Não é auto-evidente que os adjetivos bíblico e teológico são praticamen-
te sinônimos e que, em todo caso, a teologia é inconcebível sem a Bíblia?
Estas e outras perguntas semelhantes têm surgido desde os tempos do An-
tigo Testamento e ao longo do curso da história da Igreja e exigido novas respos-
tas a cada geração. Hoje, na primeira década do século XXI, mais do que nunca,
isto é verdadeiro, pois as disciplinas gêmeas da teologia e erudição bíblica estão
em tremenda desordem e raramente a Igreja tem estado menos segura sobre as
suas inter-relações. 

As DISTINÇÕES DA TEOLOGIA SISTEMÁTICA

27 de maio de 2013

Gleason L. Archer - A Historicidade de Adão e a Queda

Quanto ao relacionamento entre Gênesis 2 e Gênesis 1, já foi
indicado que o emprego dos nomes divinos (Elohim e Javé) pode
ser reconciliado perfeitamente com a unidade de autoria. Sendo
que Elohim (“Deus’) era o nome apropriado para contextos fora
da Aliança, Moisés (supondo-se que foi ele o autor do Livro inteiro),
pode muito bem ter empregado este nome exclusivamente para o
relato da criação no capítulo 1, empregando o nome Javé para a
maior parte do capítulo 2, ao tratar da Aliança de obras estabe-
lecida entre Deus e Adão.

Questões têm sido levantadas quanto à seriedade de se aceitar
a narrativa inteira sobre Adão e Eva (e a serpente no Jardim do
Éden) como história literal. Muitos preferem considerá-la um sim-
ples mito ou fábula (“supra-história”, segundo o termo neo-orto-
doxo) no qual o colapso moral do homem se descreve através dum
episódio fictício escrito como ilustração do mesmo. (Mas, sendo
que, de fato, o homem é um ser caído, um agente moral com um

26 de maio de 2013

Jardins suspensos da Babilônia seriam na verdade de Nínive?


Sim, é isso mesmo que você leu. Que Babilônia, que nada! Uma das sete maravilhas do mundo antigo, os famosos jardins suspensos estiveram um dia localizados em Nínive, e não na Babilônia, segundo uma nova versão revelada esta semana.

Nínive, capital do antigo reino da Assíria, é mais lembrada por ter sido a terra perversa onde o profeta Jonas foi - contra a sua vontade - pregar sua mensagem de arrependimento, tendo conseguido 100% de sucesso (algo que ele também não esperava nem queria, curiosamente).

Stephanie Dalley, uma pesquisadora britânica da Universidade de Oxford levou 18 anos estudando textos e idiomas antigos em busca de evidências que dissessem com exatidão onde se situavam os famosos jardins suspensos atribuídos à Babilônia, imortalizados no filme "Alexandre, o Grande".


23 de maio de 2013

O casamento na era patriarcal


Revista Ultimato

Na linguagem religiosa e em sentido restrito, o nome patriarca é dado aos três primeiros pais da nação de Israel: Abraão, Isaque e Jacó.
Chama-se de era patriarcal o período de tempo que começa com o nascimento de Abraão na Mesopotâmia e termina com a morte de Jacó no Egito. A história toda compreende uns 300 anos e ocupa mais de três quartos do primeiro livro da Bíblia (Gênesis 12 a 50). É difícil estabelecer a data precisa, mas alguns estudiosos colocam-na na metade da Idade do Bronze, entre os anos 1.900 a 1.600 a.C.

Abraão nega Sara

22 de maio de 2013

Por que é poderoso o caminho dos malvados? Análise Exegética de Jr 12, 1-6


Sue Hellen Monteiro de Matos 

Resumo

As confissões de Jeremias estão espalhadas entre os capítulos 11 e 20 do livro de Jeremias. Através delas podemos compreender o relacionamento entre o profeta e Javé. A pesquisa, em geral, tem abordado essas confissões como uma lamentação existencial do profeta. Nesse sentido, a análise exegética de Jr 12,1-6 busca mostrar que as confissões de Jeremias vão além da crise interior. São confissões que abrangem a lamentação da comunidade, em especial o texto analisado.

Introdução 

As confissões de Jeremias (11, 18-23; 12,1-6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 16-23; 20, 7¬18) são parte central de qualquer interpretação do profeta. É preciso compreendê-las como documentos de um evento que foi extraordinário e marcou a relação entre Javé e o profeta.
A pesquisa bíblica tem visto essas confissões com um olhar romancista, isto é, confissões que refletem a crise existencial do profeta. Entretanto, os críticos das formas e da história das tradições são contrários a essa visão. Afirmam que a linguagem do profeta é uma linguagem típica de lamentação e, portanto, o “eu” do profeta funciona como porta-voz para a desolação e alienação de seu povo. Certamente que há elementos de tormenta individual queo  não podem ser eliminados.

20 de maio de 2013

Gerhard von Rad e o Kerygma do Pentateuco


Por Landon Jones

A igreja, em cada geração, precisa ouvir a Bíblia como a palavra de Deus. Para as igrejas de tradição evangélica, esta necessidade é de suma importância porque, de maneira geral, elas aceitam a Bíblia como a única autoridade de fé e prática. De acordo com a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, “a Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina e a conduta dos homens.” Então, se a Bíblia ocupa um lugar singular na nossa tradição religiosa, devemos acentuar a necessidade de entender corretamente o texto bíblico.

Mikveh raro do período do Segundo Templo foi descoberto em Jerusalém



Em uma escavação arqueológica da Autoridade de Antiguidades de Israel, em Jerusalém, no bairro de Kiryat Menachem antes da pavimentação - as escavações promovidas pela empresa Moriah, foi descoberto um local de banho ritual.

De acordo com Benjamin Stortz'n, diretor da escavação em nome da Autoridade das Antigüidades de Israel, "Nos últimos anos muitos banhos rituais muitas foram descobertos em Jerusalém, mas a descoberta deste sistema de alimentação de água nesta escavação é único e incomum. O banho ritual (Mikveh) consiste em uma cavidade subterrânea conduzida por escadas. As águas das chuvas desejavam em três bacias bacias hidrográficas que estavam esculpida no teto no desejado e despejavam a água doce através dos canais no local desejado banhos conhecidos até agora, são frequentemente compostas de um espaço fechado que canalizou a água da chuva em um pequeno lago escavado nas proximidades sistema exposto agora sofisticado e mais complexo esperava envolver visto a partir da liquidação estava no durante o período do Segundo Templo, provável, devido ao regime de chuvas e a seca na região, os moradores procuravam técnicas especiais que permitissem armazenar cada gota de água.

18 de maio de 2013

Seria Deus um “monstro moral”?


Paul Copan (Ph.D, Marquette University) é professor de Filosofia e Ética na Palm Beach University, na Flórida, EUA. É autor e editor de dezenas de livros na área de apologética cristã e filosofia da religião. Além de diversos artigos publicados em importantes publicações na área de filosofia, como a Philosophia Christi, ele também é membro da Evangelical Society of Philosophy.Is God a Moral Monster? é uma resposta para as diversas acusações contra o caráter de Deus como exposto nas páginas do Antigo Testamento, principalmente da parte dos chamados neoateus. Com a publicação da obra Deus, um Delírio, de Richard Dawkins (2005), e Letter to a Christian Nation, de Sam Harris (2007), o Antigo Testamento começou a ser visto pelo público secularizado como uma mola propulsora para a violência e a intolerância. Tópicos ali encontrados como homofobia, genocídio, machismo e fundamentalismo religioso são alguns dos motivos – aparentemente verdadeiros – que têm levado muitos a rejeitar qualquer princípio ético das páginas das Escrituras Hebraicas.

17 de maio de 2013

‘‘Eis que a jovem/virgem está grávida‘‘ - (IS 7.14) - Considerações Exegéticas e Hermenêuticas sobre Isaías 7.10-17

Introdução


Por isso, Adonay dará para vós um sinal: Eis que a jovem/virgem está grávida, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel (Is 7.14).

Isaías 7.14 é um dos principais textos que fundamenta a doutrina do nascimento virginal de Cristo. O evangelista Mateus, relatando o nascimento virginal do Messias, cita o texto isaiano como prova de que as promessas messiânicas veterotestamentárias se cumpriram cabalmente com o advento do Jesus nascido em Belém (Mt 1.23). Mas, por uma simples leitura de Isaías 7.14 no texto hebraico e no contexto de Isaías 7, constata-se certo dilema em relação à citação do Evangelho de Mateus. Acontece que a palavra “virgem”, como está na maioria das versões em português, é a tradução do hebraico 'almah, uma jovem, possivelmente recém-casada. Mateus não cita o texto hebraico, mas a tradução grega (Septuaginta), que traduziu 'almah por parthenos “virgem”. E, por uma simples leitura de Isaías 7 (versos que antecedem e aqueles que seguem o v.14), nota-se que o nascimento do Emanuel teria de acontecer no século 8 a.C., na época do profeta Isaías. Então, será que o evangelista se enganou? A palavra 'almah aceita a tradução “virgem”? A profecia de Isaías visava um cumprimento restrito à época do profeta, ou visava somente o nascimento de Jesus conforme é relatado no Novo Testamento?

15 de maio de 2013

O que é Teologia Bíblica


A solução para os problemas com a pregação rasa descritos na Parte 1 é, na verdade, bastante simples: os pastores precisam a prender a usar a teologia bíblica em suas pregações. Contudo, tal aprendizado exige que comecemos com a pergunta: o que é teologia bíblica?

Teologia Bíblica versus Teologia Sistemática

A teologia bíblica, em contraste com a teologia sistemática, foca no enredo bíblico. A teologia sistemática, embora seja informada pela teologia bíblica, é atemporal. Don Carson argumenta que a teologia bíblica
se coloca mais próxima ao texto do que a teologia sistemática, almeja ser genuinamente sensível no tocante às distinções entre cada corpus e busca conectar os diversos corpora usando as suas próprias categorias. Idealmente, portanto, a teologia bíblica permanece como uma espécie de ponte entre a exegese responsável e a teologia sistemática responsável (ainda que cada uma dessas inevitavelmente influencia as outras duas). [1]

14 de maio de 2013

Sacrifícios no Antigo Testamento


O SISTEMA SACRIFICIAL
NOME
REFERÊNCIA
ELEMENTOS
SIGNIFICADO
Holocausto
Lv 1; 6:8-13
Gado, novilho, carneiro, pombo ou rolinha sem defeito (Sempre animais machos, mas a espécie variava de acordo com as condições econômicas do indivíduo).
Voluntária. Significa propiciação do pecado e rendição, devoção e compromisso completo com Deus.
Oferta de manjares,
Também chamada oferta de farinha
ou tributo
Lv 2; 6:14-23
Farinha, pão ou grão preparados com azeite e sal (sempre não levedados); ou incenso.
Voluntária. Significa gratidão pelas primícias.
Oferta de comunhão, também chamada oferta pacifica: inclui (1) oferta de gratidão
(2) oferta de voto (3) oferta voluntária
Lv 3; 7:11-36
Qualquer animal sem defeito. (A espécie do animal variava de acordo com a condição econômica do individuo).
Voluntária. Simboliza comunhão com Deus. (1) significa gratidão por uma benção especifica; (2) oferece uma expressão ritual de um voto; e (3) simboliza gratidão geral (levada a um dos cultos religiosos exigidos).
Oferta pelo pecado
Lv 4:1-5:13;
6: 24-30;
12:6-8
Animal, macho ou fêmea, sem defeito – conforme se segue: gado pelo sumo sacerdote e congregação; bode pelo rei; cabra ou cordeira por qualquer pessoa; rola ou pombo pelo pobre; um décimo de efa de farinha pelo mais pobre.
Obrigatória. Oferecida por quem tivesse cometido pecado involuntário ou estivesse impuro, para obter purificação.
Oferta pela culpa
Lv 5: 14-6:7;
7:1-6; 14:12-18
Carneiro ou cordeiro sem defeito.
Obrigatório. Oferecida por quem tivesse privado alguém de seus direitos ou profanado algo santo.


* Fonte: Manual Bíblico Vida Nova

12 de maio de 2013

O misterioso sinal de Caim


“Gênesis 4.15 diz que Deus pôs ‘um sinal em Caim para que não o ferisse qualquer que o achasse’. Que sinal é esse?”

Caim, esse enigmático! Os mistérios rondam a figura controversa do personagem. Por que o sacrifício oferecido não agradou a Javé? Qual o sinal de Caim? Afinal, quem era a mulher com que se casou?

Da exegese histórico-crítica à fundamentalista, todos tentam decifrar sem sucesso os segredos que pairam sobre sua figura cripta. Até mesmo Saramago, ganhador de vários prêmios literários, entre eles, o Nobel de Literatura (1998), ensaiou uma resposta mordaz ao dilema cainita no livro “Caim”. É impossível ler Gênesis 4 e ficar indiferente às nuanças do relato.

7 de maio de 2013

Museu de Israel expõe pela primeira vez a “Pedra da Revelação do Anjo Gabriel”


O Museu de Israel, localizado em Jerusalém, colocou em exposição o objeto que é considerado o mais importante achado arqueológico na região desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, nas décadas de 1940 e 1950.

A pedra que está sendo exibida pelo museu, chamada “Pedra da Revelação do Anjo Gabriel”, traz uma inscrição do século 1° a.C, na qual o narrador se identifica como o anjo Gabriel. De acordo com o G1, a peça, que foi descoberta em 2007 na região do Mar Morto, é o objeto central da exposição “Eu sou Gabriel” e abordará a figura desse anjo nos primeiros anos do judaísmo rabínico, do cristianismo e do islamismo.

A exposição organizada pelo Museu exibe também outros manuscritos raros, como cópias antigas da Bíblia e fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto e do Codex de Damasco do século 13.

O texto contido na peça, escrito em tinta sobre pedra, apresenta de 87 linhas em hebraico escritas em primeira pessoa, onde o narrador identifica-se como o Anjo Gabriel. Aparentemente, trata-se de uma conversa do anjo com um profeta, segundo os pesquisadores, que explicam também que a pedra procederia da margem leste do Mar Morto, na Jordânia.

Fonte: Gospel+

Viajando através do Antigo Testamento


Por Mark Barry © 2010 AFES www.afes.org.au. © Osborne/Harricks. Usado com permissão. Original: travelling through the old testament
Tradução: www.voltemosaoevangelho.com. © 2013 Voltemos Ao Evangelho. Traduzido com permissão.

5 de maio de 2013

Como ler Gênesis


Informações básicas sobre Gênesis

Conteúdo: a história da Criação, da desobediência humana e suas trágicas consequências, e da escolha, por parte de Deus, de Abraão e sua descendência — o início da história da redenção

Abrangência histórica: da Criação do mundo até a morte de José, no Egito (c. 1600 a.C.?)
Ênfases: Deus como o Criador de tudo o que existe; a criação dos seres humanos à imagem de Deus; a natureza e as consequências da desobediência humana; o início das alianças divinas; a escolha, por parte de Deus, de um povo por meio do qual ele abençoará as nações

Visão Geral de Gênesis

Para os leitores modernos, Gênesis pode parecer um livro estranho, já que começa com Deus e a Criação e conclui com José num caixão no Egito! Mas essa estranheza é prova de que, embora apresente integridade como livro (estrutura e organização evidentes), Gênesis tem o propósito, ao mesmo tempo, de dar início a toda a história bíblica. A primeira palavra do livro (Bereshit = “em [o] princípio”), além de lhe servir de título, sugere o seu conteúdo. Assim, ele fala do princípio da história de Deus — Criação, desobediência humana e redenção divina — enquanto, ao mesmo tempo, dá início ao Pentateuco, a história da escolha de um povo, por parte de Deus, e do estabelecimento de uma aliança com esse povo, por meio do qual ele abençoaria todos os povos (Gn 12.2,3).
A narrativa de Gênesis apresenta duas partes básicas: uma “pré-história” (caps. 1—11), que consiste nas histórias da Criação, da origem dos seres humanos, da Queda da humanidade e do progresso implacável do mal — tudo isso tendo como fundo a paciência e o amor incansáveis de Deus —, e a história do início da redenção por meio de Abraão e sua descendência (caps. 12—50), o foco estando nas histórias de Abraão (11.27—25.11), de Jacó (25.12—37.1) e de José (caps. 37—50). Essas histórias, em parte, são estruturadas em torno de uma frase que ocorre dez vezes: “Estas são as gerações [genealogias/histórias/relatos de família] de”, um termo que pode se referir tanto às “genealogias” em si (como nos casos de Sem, Ismael e Esaú) quanto às “histórias de famílias”. Você perceberá que as histórias principais de Abraão, Jacó e José estão todas na história de família de seus respecti-vos pais (Terá, Isaque e Jacó)
A narrativa geral de Gênesis, portanto, começa imediatamente após o prólogo (1.1—2.3), com a primeira família humana no jardim do Éden, passando, a partir da família de Adão, por Noé e Sem e chegando,assim, a Terá e Abraão, e passando, finalmente, por Isaque e chegando, assim, a Jacó (Israel), e portanto até José. Ao mesmo tempo, também são fornecidas as linhagens familiares dos filhos rejeitados (Caim, Ismael, Esaú), destacando, assim, o contraste entre a “descendência eleita” e o “irmão rejeitado” (aquela tem uma história, este, só uma genealogia). Finalmente, perceba mais um recurso estrutural que dá forma à maior parte do livro: Deus usa Noé para preservar a vida humana durante o grande dilúvio (caps. 6—9), e usa José para preservar a vida humana durante a grande seca (caps. 37—50).

Orientações para a leitura de Gênesis

À medida que você lê esse primeiro livro da Bíblia, além de saber que a narrativa se desenvolve segundo as histórias de famílias, também atente para a forma como a trama principal, por um lado, e várias subtramas, por outro, cooperam para moldar a história de família mais ampla, que é a história do povo de Deus.
A trama principal diz respeito à intervenção de Deus na história da condição caída da humanidade ao escolher (“eleger”) um homem e sua família. Porque embora as famílias de Abraão, de Isaque e de Jacó sejam, por assim dizer, os personagens principais, você não deve jamais esquecer que Deus é o Protagonista último — o que se aplica a todas as narrativas bíblicas. Esta é, acima de tudo, a história dele. Deus fala, e dessa forma cria o mundo e um povo. A história se torna do povo (e nossa) apenas na medida em que Deus traz essa família à existência, faz promessas a ela e realiza com ela uma aliança para ser o seu Deus. Permaneça atento, portanto, à forma como a trama principal se desenvolve, e a como os personagens primários se tornam parte da história de Deus.
Ao mesmo tempo, não deixe de observar as várias tramas menores, que são cruciais para a história maior do povo de Deus no Antigo Testamento — e em alguns casos, também, para a história do povo constituído pela nova aliança. Seis dessas subtramas merecem atenção especial.
A primeira — crucial para toda a história bíblica — é a ocorrência das primeiras duas alianças entre Deus e o seu povo. A primeira aliança é com toda a humanidade, por meio de Noé e seus filhos, prometendo que Deus nunca mais eliminará a vida da terra (9.8-17). A segunda aliança é com Abraão, e promete duas coisas em especial — a dádiva da “semente/descendência” que se tornará uma grande nação para abençoar as nações, e a dádiva da terra (12.2-7; 15.1-21; cf. 17.3-8, em que a aliança é ratificada pela marca identificadora da circuncisão). A segunda aliança é repetida a Isaque (26.3-5) e a Jacó (28.13-15) e serve, por sua vez, como base para as duas alianças seguintes no Antigo Testamento: a dádiva da Lei (Êx 20—24) e a dádiva da monarquia (2Sm 7).
A segunda subtrama é um pouco sutil no próprio Gênesis, mas é importante para o desenrolar posterior do tema da guerra santa(v. glossário) na história bíblica. Ela começa com a maldição de Deus sobre a serpente, de que Deus porá “inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência [semente] e a descendência dela” (3.14,15). O termo crucial aqui é “descendência” (semente), retomado em 12.7 em relação ao povo escolhido. Essa maldição prenuncia o tema da guerra santa, que é particularmente acentuado em Êxodo (a guerra sendo entre Moisés e o faraó, portanto entre Deus e os deuses do Egito; v. Êx 15.1-18), é desenvolvido na conquista e derrota de Canaã e de seus deuses (o que explica a maldição de Canaã em Gn 9.25-27) e culmina no Novo Testamento (na história de Jesus Cristo, e esp. em Apocalipse). Embora  em Gênesis esse tema não assuma a forma da guerra santa propriamente, pode se vê-la, não obstante, especialmente no conflito entre irmãos, ou seja, entre a descendência divina e a não divina (Caim/Abel; Ismael/Isaque; Esaú/Jacó), em que o mais velho persegue o mais novo, por meio de quem Deus escolheu operar (v. Gl 4.29).
A escolha, por parte de Deus, do mais jovem (ou do mais fraco, ou  do mais improvável) para levar adiante a descendência justa é uma terceira subtrama que começa em Gênesis. Aqui, ela assume duas formas em particular que são, então, repetidas ao longo da história bíblica.  Em primeiro lugar, Deus regularmente ignora o filho primogênito na  execução dos seus propósitos (uma ruptura considerável, da parte de  Deus, com as normas culturais então correntes): não Caim, mas Sete; não Ismael, mas Isaque; não Esaú, mas Jacó; não Rúben, mas Judá. Em segundo lugar, a descendência divina frequentemente é gerada por uma mulher antes estéril (Sara, 18.11,12; Rebeca, 25.21; Raquel, 29.31). À medida que você lê a história bíblica inteira, é uma boa ideia prestar atenção nesse tema recorrente (v., p. ex., 1Sm 1.1—2.11; Lc 1).
Ligado a esse tema está o fato de que os escolhidos não devem a escolha de Deus à própria bondade; aliás, os defeitos desses escolhidos são fielmente narrados (Abraão em Gn 12.10-20; Isaque em 26.1-11; Jacó ao longo da sua narrativa [repare no quanto a família no capítulo 37 é disfuncional!]; Judá em 38.1-30). Deus não os escolhe em vista do caráter inerente deles; o que faz deles a descendência santa, antes, é que eles confiaram, no final, em Deus e na sua promessa de que seriam o seu povo — um povo extraordinariamente numeroso — e de que herdariam a terra à qual primeiro vieram como estrangeiros.
Uma quarta subtrama vem à tona mais tarde na história, em que Judá assume o papel de líder entre os irmãos na longa narrativa de José (caps. 37—50). Ele aparece pela primeira vez no capítulo 38, em que suas fraquezas e sua pecaminosidade são expostas. Mas seu papel principal tem início em 43.8,9, em que ele garante a segurança de seu irmão Benjamim, e atinge o clímax com sua disposição em tomar o lugar de Benjamim, em 44.18-34. Tudo isso prenuncia a bênção de Jacó em 49.8-12, segundo a qual o “cetro não se afastará de Judá” (apontando para o reino davídico e, indo além deste, para Jesus Cristo).
Uma quinta subtrama é encontrada na prenunciação do “capítulo” seguinte na história — a escravidão no Egito. O interesse no Egito começa com a genealogia de Cam (10.13,14; Mizraim é o termo hebraico para “Egito”). A narrativa familiar básica (de Abraão até José) começa com uma fome que leva Abraão até o Egito (12.10-20) e conclui com outra fome que leva Jacó e toda a sua família a se estabelecer no Egito, enquanto Isaque, na sua viagem para o Egito durante ainda outra fome, recebe a ordem expressa de não ir até lá (26.1-5).
Finalmente, o interesse em detalhar as origens dos vizinhos próximos de Israel, que se lhe tornam espinhos na carne ao longo da  história do Antigo Testamento, forma uma sexta subtrama. Além dos  personagens principais, Egito e Canaã (10.13-19), observe também, respectivamente, Moabe e Amom (19.30-38), Edom (25.23; 27.39,40;  36.1-43), e o papel menor de Ismael (39.1; cf. Sl 83.6)


Trecho do 1º capítulo do livro “Como Ler a Bíblia Livro por Livro” de Gordon D. Fee e Douglas Stuart (Edições Vida Nova)