31 de maio de 2012

O Cânon dos Judeus (Parte 1)



Por Willian Webster

É importante determinar o cânon da Bíblia Hebraica antes da era da Igreja porque, como o apóstolo Paulo declara, os Judeus estavam comprometidos com “os oráculos de Deus” (Rm 3:2). Esta é uma declaração importante indicando que havia um corpo de escritos divinamente inspirados e autoritativos unicamente produzidos através da nação judaica. Identificá-los é crítico para o tema da autoridade porque somente estes livros que são verdadeiramente “os oráculos de Deus” são autoritativos para a Igreja. A questão é, o termo “os oráculos de Deus” se refere a um corpo reconhecido de escritos de um número específico ou o cânon estava aberto? Apologistas romanos argumentam que o cânon dos judeus estava aberto e de fato, veio a incluir os Apócrifos. Roma aponta para dois principais eventos históricos para dar suporte a suas declarações. O

30 de maio de 2012

O Cânon do Velho Testamento da era da Igreja a Jerônimo (Conclusão)


(Parte 1) (Parte 2) (Conclusão)

Por Willian Webster

Agostinho e os Concílios norte-africanos

O primeiro ponto a se notar a respeito dos concílios de Hipona e Cartago é que eles eram concílios de província, que não tinham autoridade para regulamentar sobre o cânon para a Igreja como um todo. Agostinho, que estava guiando o espírito destes concílios, admitiu isto:

29 de maio de 2012

O Cânon do Velho Testamento da era da Igreja a Jerônimo (Parte 2)



Por Willian Webster

A igreja ocidental

No ocidente, especialmente na Igreja do Norte da África, havia uma tendência de aceitar um cânon mais amplo do que aquele sustentado no Leste. Como Kelly escreve:

O Ocidente, em geral, tendia a fazer uma avaliação bem mais favorável dos apócrifos17.

28 de maio de 2012

O Cânon do Antigo Testamento da era da Igreja a Jerônimo (Parte 1)


(Parte 1) (Parte 2) (Conclusão)

Por Willian Webster

A Bíblia da maioria da Igreja primitiva era a Septuaginta grega. Mesmo a versão Velha Latina usada pela Igreja Ocidental era uma tradução da Septuaginta. Como temos visto, é provável que ela incluía adições aos livros do Velho Testamento Hebraico que não eram recebidos como canônicos pelos judeus. Alguns dos pais, especialmente aqueles no Oeste, geralmente aceitavam estes trabalhos porque se assumiu que eles eram parte do legítimo corpo canônico. Fica claro dos escritos dos pais da Igreja que havia muita confusão sobre o que era o verdadeiro cânon hebraico. O Leste e Oeste geralmente mantinham diferentes perspectivas. Quando a versão da Septuaginta foi apropriada pela Igreja, os manuscritos não foram diferenciados uns dos outros, de

27 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 10)



      i)      O fato de Deuteronômio se referir à “terra da sua possessão”, não demonstra que foi escrito depois de Moisés?

Assim declara o texto de Deuteronômio 2.12:
“Os horeus também habitavam, outrora, em Seir; porém os filhos de Esaú os desapossaram, e os destruíram de diante de si, e habitaram no lugar deles, assim como Israel fez à terra da sua possessão, que o SENHOR lhes tinha dado”.
Como Deuteronômio 34 declara que Moisés morreu antes de entrar na terra prometida, e foi enterrado fora dela, alguns críticos entendem que esta passagem tenha sido acrescentada por algum editor posterior.
A expressão “terra de sua possessão” pode muito bem se referir às dez tribos que já tinham recebido a sua possessão ao leste do rio Jordão, antes de Moisés morrer (Dt 3.12-17). “Israel” pode se referir a toda a nação ou parte dela.

25 de maio de 2012

Santuários descobertos em Judá confirmam descrições bíblicas


Arqueólogo da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriu santuários de culto que remontam ao tempo do rei Davi. Seu achado pode oferecer maior clareza para algumas referências obscuras a construções na Bíblia.
Professor Yosef Garfinkel diz que sua descoberta em Khirbet Qeiyafa, uma antiga cidade fortificada localizada 30 quilômetros a sudoeste de Jerusalém e adjacente ao vale de Elá, comprovam a narrativa bíblica sobre como era a região antes da construção do Templo de Salomão.
“Esta é a primeira vez que arqueólogos descobriram uma cidade fortificada em Judá datada do período do rei Davi”, explicou Garfinkel em um comunicado de imprensa. “Nem mesmo na região de Jerusalém achamos uma cidade fortificada tão bem conservada deste período”.

24 de maio de 2012

Danilo Moraes - Defesa Dissertação de Mestrado


FTBSP - Faculdade Teológica Batista de São Paulo
Concentração em Antigo Testamento

Banca:
Prof. Dr. Landon Jones -- Orientador
Prof. Dr. Jonas Machado
Prof. Dr. Jorge Pinheiro dos Santos

Obs. Os apontamentos foram cortados por não ter autorização da banca para publicar.


Encontrado em Israel “selo” do período do Templo de Salomão


A Autoridade Israelense de Antiguidades anunciou a descoberta de um “selo” de mais de 2.000 anos de idade. O selo tem o nome Matanias, que em sua forma original é extremamente semelhante ao do primeiro-ministro de Israel, Netanyahu.
O selo foi achado durante escavações perto do Muro das Lamentações, edificação construída para contenção do Templo de Herodes, que foi construída sobre as ruínas do famoso Templo de Salomão.
Sua importância arqueológica é grande dada a importância do local. Especialmente em um período que estudiosos judeus são questionados publicamente por muçulmanos que afirmam que o primeiro templo nunca existiu.
A descoberta foi feita perto das ruínas de um edifício que data do final do período do Primeiro Templo. Estava abaixo da base de um antigo canal de drenagem que recentemente ficou exposto nas escavações no Jardim Arqueológico de Jerusalém.

23 de maio de 2012

Arqueólogo apresenta “novas provas” da travessia do Mar Vermelho


O professor de hebraico antigo e arqueólogo Michael Rood está lançando um DVD em que promete mudar o entendimento da narrativa bíblicade Êxodo, em especial da travessia do Mar Vermelho. Tudo está documentado em um filme de aproximadamente duas horas, disponível em DVD e Blu-Ray, mas por enquanto apenas em inglês.
Ele fez gravações de vídeo subaquáticas no local historicamente identificado como o ponto de travessia. E diz que encontrou formações de corais que se parecem com as rodas das carruagens egípcias, além de ossos humanos e outras evidências do relato do Antigo Testamento.

Arqueólogos encontram primeira prova da existência da Belém bíblica


Jerusalém, 23 mai (EFE).- Arqueólogos israelenses acharam em Jerusalém um selo de argila com a inscrição 'Bat Lechem', que supõe a primeira evidência arqueológica da existência de Belém durante o período em que aparece descrito na Bíblia, informou nesta quarta-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Trata-se de uma espécie de esfera de argila que se usava para carimbar documentos e objetos, que foi encontrado nas polêmicas escavações do 'Projeto Cidade de David', situado no povoado palestino de Silwán, no território ocupado de Jerusalém Oriental.

Datada entre os séculos VII e VIII a.C, a peça é meio milênio posterior às Cartas de Amarna, uma correspondência diplomática em língua acádia sobre tabuletas de argila entre a Administração do Egito faraônico e os grandes reinos da época e seus vassalos na zona.

22 de maio de 2012

Davi derruba o Golias do Minimalismo


Por Gustavo Adolpho Souteras Barbosa

Em 2003, foi publicado no Brasil o livro “E a Bíblia não tinha razão”, de Israel Finkelstein. Este livro tem trazido desde então, a visão minimalista da arqueologia bíblica para o público brasileiro, principalmente o público cético. Os minimalistas são aqueles grupos de arqueólogos que atribuem o mínimo de historicidade ao relato bíblico, ao contrário dos maximalistas. Eu diria até que Finkelstein é o guru dos minimalistas, embora ele não se considere um1.
Entre vários assuntos tratados no livro, Finkelstein trata da historicidade do reinado de Davi e Salomão. Basicamente o que ele argumenta é que embora possa se provar que Davi foi realmente um personagem histórico, seu reino foi um reino de pastores. Não houve um desenvolvimento do povo hebreu, como o demonstrado na Bíblia2. Mal sabem seus leitores que Finkelstein tinha acabado de rever sua posição anterior sobre os reinos de Davi e Salomão3.

20 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 9)


     (Parte 1) (Parte 2) (Parte 3) (Parte 4) (Parte 5) (Parte 6) (Parte 7) (Parte 8) (Parte 9) (Parte 10) (Conclusão)


     Por Danilo Moraes


     h)      O fato de Balaão fazer referência a Agague, não prova que Números foi escrito depois de Moisés?

Assim se refere o texto em questão: “Águas manarão de seus baldes, e as suas sementeiras terão águas abundantes; o seu rei se levantará mais do que Agague, e o seu reino será exaltado”.(Nm 24.7). A alegação dos críticos consiste em dizer que não seria possível ter sido feito uma previsão sobre Agague, que foi um rei amalequita do tempo do rei Saul, quatrocentos nos após os acontecimentos narrados em Números. Ou seja, suas pressuposições de que não pode haver milagres, e neste caso profecias, lhes da o direito de dizer que este texto foi um acréscimo a posterioi.

15 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 8)


      (Parte 1) (Parte 2) (Parte 3) (Parte 4) (Parte 5) (Parte 6) (Parte 7) (Parte 8) (Parte 9) (Parte 10) (Conclusão)

       Por Danilo Moraes


      g)      O fato de Moisés ter se auto-elogiado, não demonstra que ele não seria o autor do livro de Números.

O texto em questão diz o seguinte: “Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3). Os críticos levantam objeções contra este texto alegando que, caso Moisés fosse o autor não estaria ele agindo orgulhosamente? E tiram a conclusão, que Moisés não pode ter sido o autor. Outro argumento apresentado é o fato de que a passagem esta na terceira pessoa, mas, esta questão de o texto estar “na terceira pessoa” foi discutido no ponto “f”.
Se raciocinarmos desta maneira o próprio Jesus deve ser acusado de orgulhoso, vejamos: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração;

13 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 7)



      f)      Teria Israel atravessado o Mar Vermelho?

Tendo em vista a quantidade de pessoas que saíram do Egito, que gira em torno de dois milhões conforme Números 1.45,46, alguns críticos alegam que não seria possível essa quantidade de pessoas passarem pelo Mar Vermelho (mar de juncos) em tão pouco tempo. 
Observando o texto temos a impressão que o povo de Israel atravessou o Mar Vermelho pela manhã, pois o “forte vento oriental” (Ex 14.21) soprou durante a noite toda, e no versículo 24 Deus diz que viu o acampamento dos egípcios na “vigília da manhã”. No versículo 26, não informa depois de quanto tempo que as águas abriram, voltaram “contra os egípcios”, ou fechou o Mar Vermelho.

11 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 6)



      e)      Passagens como Êxodo 6.26,27 e 16.33-36, onde o autor se utiliza a terceira pessoa do singular para se referir a Moisés, não indica terem sido escritas por alguém que não fosse Moisés?

O texto de Êxodo 6.26,27 diz:                         

 laer'f.yI ynEB.-ta, WayciAh ~h,l' hw"hy> rm;a' rv,a] hv,moW !roh]a; aWh
`~t'aob.ci-l[; ~yIr;c.mi #r,a,me
laer'f.yI-ynEB.-ta, ayciAhl. ~yIr;c.mi-%l,m, h[or>P;-la, ~yrIB.d;m.h; ~he
`!roh]a;w> hv,mo aWh ~yIr'c.Mimi

São estes Arão e Moisés, aos quais o SENHOR disse: Tirai os filhos de Israel da terra do Egito, segundo as suas hostes. São estes que falaram a Faraó, rei do Egito, a fim de tirarem do Egito os filhos de Israel; são estes Moisés e Arão.
                  (grifo do autor)

8 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 5)


     Por Danilo Moraes

     d)      A partir de qual momento Deus passou a ser conhecido pelo nome “Senhor”?

Devemos reconhecer que ninguém conhece em absoluto o significado do nome divino de Iahweh. Devido o texto de Êxodo 6.3 mencionar: “Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O SENHOR, não lhes fui conhecido”. Tem se alegado por parte de alguns críticos adeptos da Hipótese Documentária, que o nome “Senhor” era desconhecido antes de Moisés, ou seja, que Iavé não era conhecido por Israel até que Deus não se revelou a Moisés. Vejamos: “R.W.L. Moberly alegou recentemente com veemência que o nome Javé foi primeiro revelado a Moisés e que empregos anteriores em Gênesis são anacronismos”.[1] Assim, o aparecimento do nome Iavé, nas histórias sobre os patriarcas (Gn 15.2,8; 16.2; 18.14; 19.13; 24.31 etc.), deveria ser visto como inserções feitas por algum editor posterior. E ainda este versículo tem sido alistado em favor da “hipótese quenita”, que crê que Moisés aprendeu este nome divino, Iavé, com os midianitas em Mídia, onde permaneceu com seu sogro.

5 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 4)



     c)      Quem era o Faraó citado no livro de Êxodo? Qual a data do Êxodo?[1]

O ano em que os hebreus saíram do Egito está naturalmente ligado à história desse país. A Bíblia não nos fornece os nomes dos dois faraós, o da opressão (Êx 1:8, 2:23) e o da saída (Êx 14:5). Opiniões diversas se equilibraram entre os doutos, com autoridade e número de defensores quase iguais sobre o possível faraó[2] do êxodo.
Para uns, o opressor seria Totmés III (1500-1450) – faraó da opressão - e o outro Amênofis II (1447-1420) – faraó do êxodo -, da XVIII dinastia. Outros pesquisadores, no entanto entendem que, Ramsés II (1270-1260) da XIX dinastia filho de Setos I, teria oprimido os hebreus, e seu sucessor, Merneptah (1225-1215) teria sido o faraó do êxodo. A segunda opinião, que estabelece o século XIII a.C. para o Êxodo, parece-nos mais condizente com o texto de (Ex 1:11) e mais coerente com outros dados da história bíblica e secular.

4 de maio de 2012

Hesed - O Amor Leal


Por Iain Duguid
No Antigo Testamento, hesed é uma palavra teológica central. É um atributo-chave na autodescrição do Senhor em Êxodo 34.6-7; e, conforme Miquéias 6.8, é uma obrigação colocada sobre todo o povo de Deus. No entanto, por não haver um termo exato para expressar a ideia em outros idiomas, alguns tradutores bíblicos tiveram dificuldade para traduzi-la com precisão. Em várias versões, ela aparece como “benignidade”, “fidelidade”, “misericórdia”, “bondade”, “lealdade” e “amor firme”. Em seguida, exploraremos como amor e lealdade se combinam nesta palavra única.

3 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 3)



    b)      As diferenças dos nomes divinos e estrutura textual entre Gênesis 1 e Gênesis 2 implicam autores diferentes?

Ao observar-se que em todo capítulo de Gênesis 1 o autor se utiliza do termo Elohim para se referir a Deus, e em Gênesis 2 predomina o termo Iavé, críticos da Hipótese Documental alegam terem sido escritos os capítulos 1 e 2 por autores diferentes. Astruc, um dos pais da Hipótese Documentária alegou que no capítulo primeiro o autor se utilizou antigas “mémoires” onde predominava o emprego do nome divino Elohim. Assim, o primeiro capítulo reflete a fonte “E”, e o segundo “J”. Desde o início a separação das fontes pelo emprego dos nomes divinos, gerou contestações,  e em 1903, J. Dahse já contestava esta validade.[1] Aliás, a separação das fontes sempre teve como carro chefe as duplicações de textos e a alternância de nomes divinos.

1 de maio de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 2)


  (Parte 1) (Parte 2) (Parte 3) (Parte 4) (Parte 5) (Parte 6) (Parte 7) (Parte 8) (Parte 9) (Parte 10) (Conclusão)


 Por Danilo Moraes


  a)      Pode-se crer na historicidade de Adão e Eva?

Quase que por unanimidade alguns críticos consideram as narrativas contidas em Gênesis, principalmente do capítulo 1-11 como mitos, lendas, ficções e superstições ou conforme os neo-ortodoxos “supra-história”. Porém ao fazerem isso inserem no Antigo Testamento gêneros que não lhe são próprios, mas trazidos de fora. Isto inclui dizer que, Adão e Eva não existiram historicamente. Por vezes consideram que:
“A preeminência da história no ensinamento religioso bem parece ser um preconceito, tipicamente moderno e ocidental. Os antigos e sobretudo os Orientais maior importância atribuíam al alcance religioso de uma narração que à exatidão histórica”.[1]