26 de abril de 2012

Centro Unificador do Antigo Testamento (Mitte)



Alguns teólogos bíblicos (especialmente os ortodoxos) têm se ocupado da tarefa de encontrar um “tema central unificador” (usualmente chamado de Mitte) da Teologia do Antigo Testamento. Mas o debate a respeito da existência de um mitte no Antigo Testamento (ou no Novo Testamento) é bem extenso.

De modo geral, os estudiosos de correntes críticas de interpretação negam a possibilidade de encontrar-se um tema único que perpassa a variada literatura bíblica e a ela confere certa unidade. A negação de um mitte é comum entre esses estudiosos pelo fato de considerarem a literatura bíblica como um amálgama da expressão de várias tradições religiosas independentes e como fruto das concepções religiosas de determinadas épocas. Seguindo esse raciocínio, não existiria um programa continuado de revelação divina ao longo da história que pudesse garantir a presença de um tema único desenvolvido de maneira sistemática. O Antigo Testamento seria um mosaico: cada escritor teria se baseado numa determinada tradição ou concepção religiosa. Esse suposto caráter fragmentário da Bíblia leva especialistas a falar em "Teologias Bíblicas" e não em "Teologia Bíblica".

Divórcio e o Sentido de Porneia na Cláusula de Exceção em Mateus 5.32 e 19.9




Uma das características distintivas do Evangelho de Mateus é a presença de uma cláusula de exceção à proibição do divórcio, que é mencionada duas vezes na obra: 5.32 e 19.9. O assunto é difícil e polêmico. Não é objetivo deste simplório trabalho abarcá-lo de maneira satisfatória. Faremos apenas considerações gerais e apresentaremos algumas dificuldades de interpretações, bem como algumas posições adotadas por estudiosos ao longo dos séculos. O nosso objetivo é simplesmente apresentar algumas possíveis interpretações de porneia em Mateus 5.32 e 19.9.


O Matrimônio e o Divórcio na Bíblia: Considerações Gerais
Antes de abordar a exceção, é necessário entender a regra divina a respeito do casamento. Em toda a Bíblia, o casamento é apresentado como uma instituição divina e o propósito de Deus é que uma união matrimonial não seja desfeita jamais.

22 de abril de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Parte 1)



    Dada à quantidade de objeções levantadas contra o Pentateuco, serão apresentadas as principais questões que se enquadra com o presente trabalho.
       Deve o estudante ter em mente, que a credibilidade que a Bíblia possui, engloba não somente questões espirituais e morais, mas também, questões de ciência e história, levando em consideração a inspiração dos originais e a limitação do conhecimento científico e histórico na época em que foram compostos os livros bíblicos.
    O fato de não termos uma explicação satisfatória no momento, não significa que não a teremos no futuro. Durante a tradição judaica os Sopherim (escribas, escritores) tinham o papel de doutores copistas, guardiões e intérpretes da Lei, foram eles que precederam os massoretas que desenvolveram o

13 de abril de 2012

A confusão evangélica diante do Antigo Testamento


Por Luiz Sayão

A igreja evangélica brasileira é uma das mais dinâmicas e criativas do mundo. Por essa razão seu crescimento tem sido extraordinário. Todavia, uma igreja jovem e efervescente tem dificuldades de doutrinar e discipular seus novos membros. Essa é uma realidade na igreja brasileira.

É notório que o uso do Antigo Testamento na prática e na liturgia eclesiástica brasileira tem crescido de maneira substancial. Principal no contexto de louvor e adoração a ênfase vétero-testamentária é mais do que expressiva. E como percebeu Lutero, a teologia de uma igreja está em seus hinos. Afinal, o que está acontecendo? Para onde estamos indo?

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Antigo Testamento representa um fascínio para o povo brasileiro. É repleto de histórias concretas, circunscritas na vida real do povo, no cotidiano de gente comum. É muito mais fácil emocionar-se com uma narrativa como a de Jonas ou de Davi do que acompanhar o argumento de Paulo em vários textos de Romanos. Além disso, o povo brasileiro tem pouca história e raízes muito recentes.

12 de abril de 2012

Teoria do Conhecimento - Johannes Hessen (Resumo)


Por Danilo Moraes

Introdução

 A essência da filosofia
Quando se fala em teoria do conhecimento, falamos em uma disciplina da filosofia. Ao tentarmos definir o que vem a ser “filosofia” encontramos uma grande dificuldade, pois cada filósofo em sua época a definiu de uma maneira. Mas não pode negar que na busca por esta definição se encontra as seguintes características na essência de toda filosofia: a) a atitude em relação à totalidade dos objetos; b) o caráter racional, cognoscitivo dessa atitude.
Tanto Sócrates como depois com seu discípulo Platão, mostram sua filosofia como a auto reflexão do espírito sobre seus valores teóricos e práticos, os valores do verdadeiro, do bom e do belo.
Através de sua metafísica Aristóteles vê a filosofia como uma visão de mundo. Após Aristóteles a filosofia com os estóicos e epicureus, transforma-se em filosofia de vida. Já no começo da Idade Moderna a filosofia torna pelo caminho aristotélico, ou seja, aparece como teoria do conhecimento. No século XIX a filosofia assume um caráter puramente formal, metodológico.
Enfim a filosofia é uma visão de si e uma visão de mundo. A ciência e a filosofia possuem uma afinidade, a saber, o pensamento. A Ciência preocupa-se com o particular e a filosofia com o universal. Na religião sua visão filosófica é baseada em sua fé, na filosofia brota do conhecimento racional.

Fundamentos da ética Cristã - Michael Keeling (Resumo)


Por Danilo Moraes

Resumo dos capítulos III e IV

III – ÉTICA NA IGREJA


Ao longo da História da Igreja, os cristãos se depararam com situações difíceis e complexas devido ao contexto em que estavam; mas, sempre procuraram de alguma forma manter a fidelidade à Bíblia.

  1. A Igreja Primitiva
Tudo corrobora para crer que os primeiros cristãos eram pessoas de condições sociais modesta, artesões, pequenos comerciantes, escravos, etc. Este quadro se manteve quase inalterado até 313, quando Constantino outorgou tolerância e proteção aos cristãos.
Tendo o imperador como “cristão” corroborou para que a sociedade fosse se transformando, a ponto de se tornar cristã.
Com o avanço do cristianismo aos gentios foi se descaracterizando do judaísmo, pois estes não conheciam seus costumes. Esse mesmo avanço entre a sociedade fez com que alguns se retirassem para os desertos e cavernas para fugirem das “tentações” que a sociedade impunha, e também para buscarem mais a Deus. Em sua fase posterior este êxodo ao deserto se deu por reação contra o “império cristão”.

Competência Pedagógica do Professor Universitário (Resenha) - MASETTO, Marcos Tarciso



 Por Danilo Moraes

  1. Necessidade e atualidade do debate sobre competência pedagógica universitária
O ensino no Brasil que tem como base estruturas européias, até hoje focaliza o professor como sendo um ser dotado de conhecimentos adquiridos em sua graduação, e que por isso esta apto a ensinar. Quem sabe, automaticamente sabe ensinar. Mas, recentemente professores universitários estão tomando conhecimento da necessidade de se ter um “conhecimento pedagógico”, para poder ensinar.
Hoje o professor não mais tem diante de si a tarefa de simplesmente transmitir conhecimentos. Ele tem a incumbência de orientar, apontar caminhos por onde o aluno possa aprofundar e crescer no campo do saber e pessoal.

  1. Docência universitária com profissionalismo
Durante o século XX o ensino superior sofreu diversas mudanças, entre estas mudanças destacam-se quatro:
a)                 No processo de ensino. O foco transferiu-se da ênfase em transmissão de conhecimentos, para uma valorização do aluno como capaz de buscar esses conhecimentos.
b)                No incentivo à pesquisa. Cabe ao professor orientar o aluno, e ao aluno pesquisar. Uma cooperativa entre professor e aluno.
c)                 Na parceria e co-participação entre professor e aluno de aprendizagem. O aluno tem que se considerar o sujeito do processo de aprendizado, e ver no professor um aliado em sua formação.
d)                O perfil do professor. Deixa de ser especialista para ser mediador de aprendizado. O professor deve incentivar e motivar o aluno a aprender, mas nem por isso ser negligente em suas pesquisas. Antes, ele dever ser competente em sua área de ensino, competente na área pedagógica (um dos pontos mais carentes), e o professor não dever deixar de ser “político” no exercício de sua docência, ou seja alguém compromissado com seu tempo, sua civilização e sua comunidade.

Sociologia da Religião - François Houtart (Resumo)


Por Danilo Moraes 
Capítulo 1

A PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA NO ESTUDO DA RELIGIÃO

 - 1 -
A Sociologia

            A sociologia estuda as lógicas internas fundamentais da sociedade, e vai além da mera descrição dos fatos sociais. Isso nos leva a estudar o homem como ator, e produtor da sociedade.
            As sociedades são frutos da ação os atores sociais, e estes são condicionados em sua produção por participarem da estrutura social, e também são transformados pela própria construção social que realizam.

-          2 –
A religião a partir de uma perspectiva sociológica

A religião faz parte das representações que fazemos de nosso mundo e de nós mesmos. A sociologia não entra no “sobrenatural”, apenas analisa os grupos que se movem em volta, deixando este papel para a filosofia e teologia. A sociologia da religião estuda as religiões apenas como fatos sociais.

-3-
A parte ideal da realidade e o papel da consciência

           As representações influenciam a forma como atuamos, e assim transformam, reproduzem as estruturas da sociedade.
           O que nos interessa como sociólogos e como e por que razão nascem, se dissolvem ou se transformam as formas religiosas da consciência.

Pluralismo Pós-Modernista


Por Danilo Moraes 

O pluralismo tem várias pressuposições que controlam todo um conjunto de idéias:
A primeira grande pressuposição é que, segundo a abordagem pluralista, todas as religiões têm que abandonar a sua arrogância teológica. Nenhum grupo religioso pode jactar-se de ser superior ao outro em termos de verdade, porque a religião está associada à cultura. E não existe uma cultura superior à outra. Todas são igualmente boas.
O que percebemos é que o cristianismo é altamente relevante na sociedade contemporânea, não para levantar novamente a bandeira do intelectualismo, mas para mostrar a racionalidade da fé cristã, para trazer de volta os fundamentos da sociedade e da moralidade, e para responder a questões que só o cristianismo pode responder. Contudo, estas convicções têm sido continuamente questionadas hoje. Num contexto pluralista em que vivemos, ninguém pode dizer uma coisa dessas da sua própria religião. Tudo é relativizado. “Todos aqueles que se sustentam em sua metanarrativa, como se ela realmente fosse a história canônica, abarcando ou explicando todas as outras histórias, vivem sob uma ilusão”.[1]

O Pós-Modernismo e o Neopentecostalismo Materialista


Por Danilo Moraes

 No mundo em que vivemos hoje, o reconhecimento da morte de Deus é o princípio da sabedoria pós-moderna.
A Igreja de hoje está tão suspeitamente acomodada, tão estranhamente alienada da noção bíblica de guerra espiritual, que esqueceu o sinal de Jonas — e assim como os contemporâneos de Cristo foram condenados por sua rejeição do Messias e seu apetite carnal pelo espetaculismo dos milagres, esta também será julgada por — desprezando a morte e ressureição de Cristo — fazer da Igreja um palco bestial onde se diverte, se entretém, se conta piada e testemunhos de loteria e se compra e vende todo tipo de badernalha como "oferta de fé".
Junte-se a esse pandemônio a ambição descarada de líderes de origem suspeita a serviço de corporações duvidosas, e se terá a mais horrenda escatologia: mulher vomitando cobra; pastor fantasiado de rabi; gente estrebuchando endemoninhada em templos suntuosos — e os demônios, seus folclóricos algozes, concedendo entrevistas; tudo filmado pelas câmeras de TV e transmitido em rede internacional. A fé foi “animalizada”.
Esta sanha, porém, não surgiu da noite para o dia, nem começou degenerada. Como detectam muito bem Ariovaldo Ramos e Ricardo Bitún, a tendência histórica foi lançada por movimentos que tinham outras intenções:

Da Era Moderna a Pós-Modernidade


 Por Danilo Moraes

A crise do capitalismo e socialismo entre o fim da Segunda Guerra Mundial e início da década de 1950, marca uma profunda desconfiança nos projetos utópicos da oscilante modernidade. Não muito depois desse período houve um reverdecimento da arquitetura que contestava o estilo da modernidade. 
Termos como pluralismo, multiculturalismo e relativismo acomodam-se a toda e qualquer manifestação cultural, filosófica e política pós-modernas. O pensamento pós-moderno, portanto, não se configura com um estilo uniforme seja na filosofia, na moral, na religião, na arte ou na arquitetura. Ao contrário, é plural, e se compraz na diversidade, fragmentação e multiplicidade.

  
As ideologias do Pós-Modernismo

Um século atrás a Igreja enfrentava o Modernismo. Essa ideologia apregoava que o real é o que se apreende pela ciência.[1] Então a ressurreição de Jesus, por exemplo, deveria ser "reinterpretada" à luz da racionalidade moderna: a ressurreição não seria um fato histórico objetivo, mas um arquétipo da "ética renovada" que Deus propõe ao homem: cada vez que ofereço a outra face ao meu inimigo, Jesus ressuscita dentro de mim, isto é, os valores divinos, outrora mortificados e esquecidos, agora ressurgem em meu coração para agradar a Deus. Pecado? Ignorância falta de orientação. Novo nascimento? Reeducação, evolução! Tudo indica que essa conjunção fé–racionalismo foi desastrosa para as igrejas que a adotaram.[2]

John Milbank - Teologia e Teoria Social


Por Danilo Moraes
John Milbank é professor da universidade de Virgínia. Nasceu em Londres, e lecionou nas universidades de Oxford, Cambridge e de Birmingham, ganhando um doutorado em Cambridge. Quando foi professor de Cambridge Milbank emergiu como o líder da "Ortodoxia Radical," que é um movimento no combate ao liberalismo e dedica-se simultaneamente ao encontro  com o pensamento do homem moderno e do descontrucionismo em seu próprio território.
Dentro dessa perspectiva política, encontra-se o esboço da concepção política de Hegel. Segundo John Milbank principal acusação a ser feita ao sistema de Hegel é a de que a “dialética” não passa de uma nova variante da política e da economia política moderna; o pensamento negativo de Hegel teria tido menos sucesso do que o positivismo na superação do liberalismo e das teorias econômicas e da heterogênese. Para o autor, a lógica hegeliana seria apenas outra “economia política” e portanto, inevitavelmente, mais uma teodicéia.[1]
 Milbank ocupa-se sobre a moderna teoria política que se estruturou, segundo ele, em três grandes negações: a primeira negação seria da “poiesis barroca”, ou a idéia de que o fazer humano não é uma questão puramente instrumental e arbitrária, mas considerada como uma possibilidade que se abre para o transcendente. A segunda negação trata da doutrina cristã da criação, em favor de uma reversão a uma antiga mitologia da ação racional como o “inibidor do caos”. E, finalmente, da ética política aristotélica, com suas noções centrais de práxis, virtude e prudência.

11 de abril de 2012

Perfil de Três Reis - Cura e esperança para corações quebrantados (Resenha)



Por Danilo Moraes

No início do livro  na sessão “prólogo” temos o pano de fundo da história. Nele vemos que Deus pediu a Gabriel que pegasse duas porções de seu ser e as concedesse a dois destinos a nascer. Assim Gabriel indo até o reino dos destinos faz a descrição da primeira porção da natureza de Deus, e a descreve como um dom que toca o homem na esfera exterior. E prontamente um destino a aceitou.
Gabriel então fez uma descrição do segundo dos elementos de Deus, e explica que se trata de uma herança, que é plantada no profundo do ser. Da mesma forma imediatamente um destino se manifesta e aceita esse elemento de Deus. Tudo isso foi registrado por um amanuense no livro dos destinos, e Gabriel lhe informa que estes dois destinos serão dois reis, cada um há seu tempo.
Entre as montanhas de uma vila chamada Belém, a cerca de 3 mil anos atrás viveu um filho caçula de uma família de oito irmãos. Diante dos afazeres de um pastor de ovelhas o jovem pastorzinho entoava cânticos ao Senhor, e treinava sua pontaria com uma funda. Num certo dia chega um de seus irmãos pedindo a ele que volte correndo para casa, pois uma pessoa quer velo, e lá chegando um velho sábio o observou e lhe pediu que se ajoelhasse.