2 de abril de 2017

RALPH L. SMITH - O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

REAVIVAMENTO ANTIGO TESTAMENTO

O reavivamento da teologia do Antigo Testamento

O que causou essa súbita mudança na teologia do Antigo Testamento? O que a trouxe de volta à vida? A principal causa da mudança na teologia e nos estudos bíblicos foi a “precipitação radioativa” da Primeira Guerra Mundial. Antes de 1917, a atitude que prevalecia no mundo ocidental era de confiança no progresso inevitável. As pessoas podiam erguer-se por seus próprios esforços de qualquer crise e transformá-la em meio para alcançar um padrão mais elevado de vida.

E então em apenas uma geração ocorreram duas guerras mundiais, com toda sua destruição, devastação, crueldade, ódio e alienação. A confiança no progresso inevitável e na bondade e capacidade inerentes à humanidade foi esmagada. As pessoas começaram a buscar uma fonte de força e uma palavra de orientação fora de si mesmas. Algumas encontraram essa força e orientação na Palavra de Deus.

Karl Barth descreveu a mudança na teologia depois de 1918:

O fim efetivo do século XIX como os “bons velhos tempos” chegou para a teologia e para tudo o mais com o ano fatídico de 1914. Acidentalmente ou não, naquele mesmo ano um evento significativo aconteceu. Emst Troeltsch, famoso professor de teologia sistemática e líder da escola mais moderna de então, desistiu de sua cadeira de teologia por uma de filosofia.

Um dia no começo do mês de agosto de 1914 sobressai em minha lembrança como um dia negro. Noventa e três intelectuais alemães impressionaram a opinião pública ao proclamar apoio à política de guerra de Guilherme II e seus conselheiros. Descobri horrorizado que entre esses intelectuais encontravam-se quase todos os meus professores de teologia pelos quais eu tinha grande veneração. Desesperado em saber o que isso indicava acerca dos sinais dos tempos, percebi de repente que eu não podería mais seguir a ética ou a dogmática deles nem o entendimento que eles tinham da Bíblia e da história. Para mim pelo menos a teologia do século XIX não tinha mais nenhum futuro. Para muitos, se não para a maioria das pessoas, essa teologia não voltou a ser novamente o que era antes, uma vez que as águas da chuva que caiam sobre nós naquela época perderam um pouco de sua força.[1]

James Smart disse que o comentário de Karl Barth sobre Romanos, publicado em 1919, foi “como a explosão de uma bomba, ou melhor, como a introdução de uma substância química que provocou a separação dos elementos divergentes que se haviam misturado nos estudos eruditos do Novo Testamento”.32 Segundo Smart, a origem do comentário de Romanos foi a frustração sentida por dois pastores suíços, Barth e Thumeysen, ao tentar cumprir seus votos de ordenação para serem ministros da Palavra de Deus junto ao seu povo. Ambos tinham sido treinados em crítica histórica, mas não na compreensão da Palavra de Deus como revelação única de Deus ao povo. Contudo, era esse o ponto a partir do qual tinham de falar como ministros de Deus.

Barth e Thumeysen voltaram-se para Lutero, Calvino, Kierkegaard e outros, à procura de ajuda. Desafiaram as conclusões de um século de estudos eruditos do Novo Testamento. Os leitores encontraram de imediato muitas falhas no comentário (ele foi talhado de modo tão rudimentar que Barth começou a reescrevê-lo assim que acabou), mas os estudiosos do Novo Testamento foram obrigados a reconhecer a legitimidade da abordagem teológica.[2]

1 de abril de 2017

Tell Beit Mirsim

arqueologia bíblica
Bíblia de Estudo Arqueológica

30 de março de 2017

A transposição do abismo gramatical

danilo moraes
Um fato característico da Reforma foi o retomo à interpretação histórica e gramatical das Escrituras. Esse método contrapunha-se radicalmente ao esquema de interpretação bíblica que vinha sendo utilizado havia séculos: a concepção que desprezava o sentido gramatical normal dos termos e permitia que os leitores atribuíssem a palavras e frases o significado que desejassem.
                                 
As palavras, expressões e frases da Bíblia adquiriram muitos significados na Idade Média, e a objetividade foi-se perdendo. “Então, como a Bíblia podia ser uma revelação divina clara?”, perguntavam os reformadores.
Eles argumentavam que Deus havia transmitido sua verdade por escrito, empregando palavras e frases cujo sentido normal, evidente, o homem deveria ser capaz de compreender. Portanto, quanto melhor entendermos a gramática bíblica e o contexto histórico em que aquelas frases foram inicialmente comunicadas, tanto mais compreenderemos as verdades que Deus quis transmitir-nos.
Por que a interpretação gramatical é importante?
Vários fatores destacam a importância de atentar para a gramática bíblica (os significados de palavras e frases e a maneira como são combinadas).
A natureza da inspiração
Se cremos que a Bíblia foi verbalmente inspirada, então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. Talvez nem todas as palavras e frases tenham a mesma importância, mas todas elas têm uma finalidade. Do contrário, por que Deus as teria incluído?

28 de março de 2017

Canaã

biblia de estudo arqueológica

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

Hazor

biblia de estudo arqueológica
danilo moraes antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica


17 de março de 2017

R. K. Harrison - Leis Rituais

antigo testamento danilo moraes
LEIS RITUAIS 

O sangue sacrificial (17:1-16)

A matéria neste capítulo forma um suplemento à legislação conti­da nos sete primeiros capítulos do livro, e também tem conexão muito estreita com o capítulo 16. Desde a formulação da teoria Graf-Wellhausem da composição do Pentateuco, perto do fim do século XIX, a erudi­ção crítica-literária tem uniformemente considerado que Levítico 17 — 26 perfaz um assim-chamado “código de santidade” que, de acordo com esta teoria, foi acrescentado ao “documento” sacerdotal um pouco de­pois do tempo de Ezequiel.[1] Infelizmente, este ponto de vista não po­de ser apoiado por qualquer forma de evidência objetiva, e tem o demé­rito de separar esta matéria auxiliar que rege as leis rituais das preocupa­ções do livro como um todo, que é, sem dúvida alguma, um manual de santidade. Embora esteja na moda nos círculos crítico-literários ver ele­mentos “posteriores” na segunda metade de Levítico, mesmo assim é verdade que não há um só aspecto desta matéria legislativa que seja in­consistente com uma data de origem no segundo milênio a.C.

O capítulo começa com uma fórmula que é típica de Levítico (cf. Lv 1:1; 4:1; 6:1; 7:28, etc.), depois da qual trata de quatro situações em que o sacrifício e o consumo da carne estão envolvidos. Sua unidade com os capítulos anteriores é percebida na sua recapitulação das ques­tões discutidas anteriormente, (cf. Lv 7:26-27 e 17:10-15; 11:39-40 e 17:15-16), com ênfase especial dada ao significado do sangue no uso sa­crificial. Outra razão porque este capítulo tem pouca probabilidade de fazer parte de um “código de santidade” sacerdotal separado é que não diz virtualmente nada acerca do lugar dos sacerdotes na questão dos sa­crifícios. Pelo contrário, focaliza o papel do adorador comum no siste­ma sacrificial, e trata dos procedimentos corretos da imolação e das penalidades aplicáveis quando o sangue é usado erroneamente. Preocupa­ções higiênicas também fazem parte destacada da legislação a respeito da ingestão do sangue.

1-2. Uma fórmula introdutória indica que esta matéria, como as demais seções antes dela, tem a autoridade da revelação divina. Deve fa­zer parte do corpo sacerdotal de ensinos, e deve ser comunicada à nação inteira como mandamento da parte de Deus. Estas injunções, se forem guardadas, garantirão a continuidade do modo de vida distintivo de Is­rael, mas se forem desrespeitadas, a nação é advertida quanto ao castigo que se seguirá.