14 de outubro de 2017

Quiriate Jearim

danilo moraes arqueologia
Bíblia de Estudo Arqueológica

VICTOR P. HAMILTON - A Despedida de Moisés

victor hamilton
A Despedida de Moisés

Deuteronômio 31

À parte dessa mescla de prosa e poesia, outros três itens diferenciam os capitulos 31—34. Um deles é a mudança de enfoque no texto, passando daquilo que Moisés fala, nos capítulos 1—30, para o que ele faz, especialmente no capítulo 31.

Um segundo ponto é que estes últimos capítulos de Deuteronô­mio fornecem um belo contraste com os capítulos de abertura do livro, em Deuteronômio 1—3, em que Moisés começa olhando para o passado, evocando e voltando a relatar eventos históricos de Israel após a saída do Egito. Em contrapartida, nos capítulos 31— 34, ele termina olhando para o porvir, antevendo o futuro de Isra­el e o ministério de Josué após sua própria morte. Dessa forma, Deuteronômio começa com uma reflexão sobre o passado, do qual Moisés fez parte, e termina refletindo sobre um futuro que não contará com sua presença.

O terceiro ponto, bastante peculiar, é que trata-se da única oportunidade, em Deuteronômio, na qual Deus fala diretamente (31.14b; 31.16b-21; 31.23b; 32.49-52; 34.4b; e partes do poema no capítulo 32). No que tange a essa questão, os outros quatro livros do Pentateuco são diametralmente diferentes, com a voz de Deus sendo ouvida em toda parte. Isso não significa que o restante do Pentateuco, com sua prodigalidade de discursos divinos, seja mais ou menos valioso que Deuteronômio, com sua parcimônia nessa área. Deuteronômio é tão divino quanto qualquer outra parte da Torá, exceto que nesse caso a palavra de Deus surge através da voz de Moisés numa proporção jamais vista em outra parte do Pentateuco. Se, por exemplo, os Salmos são originalmente pala­vras humanas (orações direcionadas a Deus) que se tornam a Palavra de Deus, Deuteronômio é a palavra divina emitida atra­vés de voz e recursos humanos.

13 de outubro de 2017

Bere Semes

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Bíblia de Estudo Arqueológica

Quem é Deus como Javé? Um Deus de ira

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Um Deus de ira

A ira é um dos sentimentos de Deus mais frequentemente mencionados no Antigo Testamento. A ira de Deus é bem real e muito séria para as pessoas do Antigo Testamento. O que é ira? No Egito antigo, ira significava "cólera", "raiva", "reação violenta". Os sinais hieroglíficos correspondentes à ira retratam "o espancamento de um mendigo", "um macaco em fúria" ou "um leopardo feroz". Os egípcios também usavam uma palavra que significa "vermelho" para indicar "coração", e uma para "nariz", muito semelhante ao termo hebraico, para representar a raiva. Em acádico, as duas palavras usadas com mais freqüência são agagu, "ser momentaneamente forte", e ezezu, "ser selvagem e furioso", freqüentemente aplicada a fenômenos naturais.

Na religião grega, os deuses não eram considerados amigos do ser humano. Os escritores gregos continuamente reclamavam da "natureza vingativa, má vontade e mesquinhez" dos deuses. Divindades da terra anteriores aos gregos e as que trazem maldições, como as Eríneas, "têm ira até em seu nome, ‘as fúrias’".

A punição pelos deuses não é geralmente por motivos morais. As pessoas eram punidas por suas ofensas pessoais contra os deuses. Dos poucos condenados ao tormento eterno, Ixion atacara Hera, ato considerado uma infração da prerrogativa de Zeus; Sísifo disse a Esopo para onde Zeus levara à força sua filha Égira; e Prometeu salvou a raça humana dando-lhe o segredo do fogo, reservado aos deuses. A ira de Zeus foi suscitada porque ele temia pela continuação da sua tirania.

12 de outubro de 2017

Dagom

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Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - O PRIMEIRO DISCURSO DE MOISÉS: O QUE DEUS FEZ (1:1-4:43) (Parte 2)

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AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS, PARA ISRAEL, DOS ATOS LIBERTADORES DE DEUS (4 :1-40)

O primeiro discurso de Moisés atinge seu clímax neste capítulo. O paralelo entre a estrutura literária do capítulo e a dos tratados de suserania do antigo Oriente Próximo é digno de nota. O autor do tratado é sanções do tratado — bênçãos e maldições - são mencionadas, teste­munhas são invocadas (26) e a obrigação de transmitir o conhecimento do tratado à geração seguinte é afirmada (10). Embora estes elementos do tratado de suserania do Oriente Próximo não estejam dispostos em for­ma legal rígida, estando antes entretecidos na fibra do discurso sem preo­cupações formais estritas, todos podem ser claramente discernidos.

a. O apelo para ouvir e obedecer (4:1-8).

A expressão introdutória Agora pois se refere ao recitativo anterior. É preparatória para o apelo a ouvir e obedecer, como se al­guém dissesse “Agora pois, à luz dos atos libertadores de Deus, vocês deveriam obedecer os Seus mandamentos” (cf Êx 19: 5; Dt 10: 12; Js 24: 14, etc.).

1. Moisés instruíra o povo nos estatutos e mandamentos de Deus e instou com eles para que atentassem para eles e os pusessem em prática. A obediência resultaria em bênção, que significava vida e posse da terra. Nesse contexto, a vida provavelmente se refere apenas à vida física, em contraste com a morte e a destruição que seriam o resultado da desobediência. O princípio aqui declarado se tomou conhecido como o prin­cípio deuteronômico. É afirmado várias vezes em Deuteronômio, mas também é encontrado em outras partes do Velho Testamento, quer dire­tamente quer por inferência.