20 de agosto de 2017

A estela de Merneptá

arqueologia antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - Chaves metodológicas no Antigo Testamento

danilo moras ralph smith
Chaves metodológicas no Antigo Testamento 

Será que o Antigo Testamento possui alguma explicação de como fazer teologia do Antigo Testamento? Claus Westarmann respondeu sim, dizendo: 

Se desejarmos descrever o que o Antigo Testamento como um todo diz acerca de Deus, precisamos começar examinando como se apresenta o Antigo Testamento [...] “O Antigo Testamento conta uma história” (G. von Rad). Com essa declaração chegamos à nossa primeira decisão acerca da forma de uma teologia do Antigo Testamento: se 0 Antigo Testamento relata 0 que tem a dizer em forma de uma história (compreendida aqui no sentido mais amplo de evento), então a estrutura de uma teologia do Antigo Testamento deve ser baseada mais em eventos que em conceitos.” 

Contar uma história é mesmo o único meio que o Antigo Testamento tem para apresentar sua mensagem? O Antigo Testamento é só um relato da história de Israel? Nada disso é verdade; ainda assim, a forma narrativa da maior parte do Antigo Testamento nos dá uma pista da natureza e da forma da teologia do Antigo Testamento. Os hebreus sabiam como era Deus por meio das coisas que ele havia feito. 

Walter Kaiser alegou ter encontrado o modo "bíblico" de fazer teologia do Antigo Testamento, embora tal modo deva excluir todos os "resultados garantidos" da crítica da fonte. Essa crítica apagou os vinculadores textuais de cada avanço em "palavra, evento e tempo" de um tema central unificador (a Promessa) que corre por boa parte do Antigo Testamento. Kaiser ainda asseverou que, ao ouvir o cânon como testemunha canônica de si mesmo, descobre-se que cada evento ou significado antecedente foi transmitido de uma figura-chave, geração, país ou crise para outro por vinculadores apagados ou atribuídos pela crítica a "redatores piedosos ou mal-orientados". Ele concluiu dizendo que "a teologia bíblica sempre permanecerá uma espécie em extinção até que os modos brutos da crítica das fontes imaginária, da história da tradição e de certos tipos de crítica da forma tenham sido detidos".[1] [2]

16 de agosto de 2017

Mudanças em Canaã

danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


R. K. Harrison - O sexo e sua teologia

HARRISON ANTIGO TESTAMENTO
O SEXO E A SUA TEOLOGIA

Boa parte daquilo que se ensina na Escritura acerca do sexo ocorre no Antigo Testamento, de onde emerge de uma maneira que às vezes é explícita e às vezes revestida de eufemismos. A diferença sexual é descri­ta por termos tais como “macho” e “fêmea,” “homem” e “mulher,” “esposo” e “esposa.” H continuada no nível da estrutura física por tais palavras gerais como bàsàr (“carne,” “corpo inteiro,” seja humano, seja animal) sendo empregada num sentido eufemístico especial para denotar o órgão masculino da geração (cf. 17:11; Êx 28:42; Lv 15:2-18; Ez 16: 26, etc.) O termo hebraico yãrèk (“coxa,” “lombos”) também é empregado periodicamente para o órgão sexual masculino (cf. Gn 24:2,9; 46:26, etc.). Às vezes a palavra “pés” era empregada como substituto para as partes genitais masculinas (Êx 4:25; Rt 3:7; Is 6:2, etc,), e ocasional­mente para os órgãos sexuais femininos também. Um termo adicional, geralmente traduzido “nudez” nas versões, tem sido usado para denotar a exposição vergonhosa dos genitais femininos (Lv 18:6-19; 20:17-21; Lm 1:8, etc.). Embora eufemismos geralmente fossem geralmente empre­gados para descrever os órgãos sexuais e as atividades sexuais, tais carac­terísticas sexuais secundárias como as glândulas mamárias femininas eram mencionadas abertamente pelo nome. Tanto os órgãos genitais mascu­linos quanto os femininos eram freqüentemente descritos em termos do seu relacionamento ao corpo inteiro.

15 de agosto de 2017

A descida de Istar aos infernos


biblia estudo antigo testaemnto
Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - De Cades a Moabe (parte 2)

victor hamilton danilo moraesDe Cades a Moabe (parte 2) 

Baal-Peor (25) 

Israel havia chegado em Sitim, que fica a leste do Jordão e quase em frente a Jerico, do outro lado do rio. Foi de lá que Josué enviou os dois espiões (Js 2.1). Números 31.16 nos conta que Balaão maquinou um plano para envolver os israelitas sexualmente com as “filhas de Moabe”. Seu sucesso nessa empreitada foi tão abso­luto como fora seu fracasso em tentar amaldiçoar Israel. Onde a maldição fracassou, a sedução prevaleceu. Onde a abordagem in­direta falhou, um ataque frontal saiu vitorioso. Rute, a moabita, exibe mais adiante um extraordinário contraste com as mulheres moabitas de Números 25. 

Os israelitas novamente refletem sua insensibilidade para com questões morais e espirituais, mais do que felizes em se envolve­rem com as filhas de Moabe (possivelmente virgens, visto que no hebraico bíblico a expressão “filhas de”, seguidas do nome de um lugar, pode significar mulheres solteiras [Gn 36.2; 2 Sm 1.20,24; Is 3.16). Dessa forma, surge uma aliança profana entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gn 6.1-4). É ainda mais lamentá­vel que o relato de envolvimento sexual entre Israel e estrangei­ros venha logo após profecias de grandes bênçãos, proferidas por um estrangeiro. Quase tudo que Balaão disse sobre Israel (por exemplo: “eis que este povo habitará só” [23.9]; “O Senhor, o seu Deus, está com eles” [23.21 — NVT]; “Que boas são as tuas tendas, ó Jacó!” [24.5 — NVI]; “uma estrela procederá de Jacó” [24.17]) é desmentido pela imoralidade do capítulo 25. 

A primeira reação de Deus é de ira contra Israel. (Na história sobre Balaão e Balaque, a ira de Deus se acende contra Balaão [22.22], a ira de Balaão se acende contra sua jumenta [22.27] e a ira de Balaque se acende contra Balaão [24.10].) A ira divina aca­ba levando ao surgimento de uma praga (v. 9), mas a narrativa indica que suas repercussões teriam sido bastante mitigadas se os mandamentos divinos tivessem sido seguidos. Alguns estudio­sos estranham que Moisés tenha ignorado uma ordem direta de Deus: “Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor di­ante do sol” (25.4). Moisés ordena aos juízes: “Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vocês terá que matar aqueles que dentre os seus homens se juntaram à adoração a Baal-Peor [deus de fogo]” (v. 5). Em outras palavras, o que Moisés ordena não tem nada a ver com o que Deus tinha mandado.